Balanço Social da Pesquisa Agropecuária Brasileira 1999

Onde houver agricultura e agricultores no Brasil, a Embrapa estará presente. Não importa a cor da bandeira e o tamanho da propriedade. Com relação à agricultura familiar, por exemplo, as experiências acertadas são inúmeras. Depoimentos de agricultores envolvidos no trabalho da Embrapa em Itiúba (BA), reproduzidos em seguida, evidenciam a sede por tecnologias e o papel transformador que elas têm para sua vida e de seus familiares. Isso demonstra que, quando o conhecimento teórico e prático chega ao produtor, em condições de fácil absorção, a mudança é patente e rápida. O revigoramento econômico das famílias acarreta cidadania, bem-estar social e cultural para a própria comunidade. Pesquisa, extensão e produtores têm ações distintas, porém inseparáveis.

Esta publicação reúne ações de expressivo interesse social, em campos como a agricultura familiar, reforma agrária, apoio comunitário, comunidades indígenas, segurança alimentar, meio ambiente e educação ambiental, educação e formação profissional e bem-estar, segurança e medicina do trabalho, realizadas por treze instituições de pesquisa, ensino, desenvolvimento e extensão, que pertencem ao Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA) e trabalham no agronegócio brasileiro.

O Balanço Social da Pesquisa Agropecuária Brasileira 1999 traz ainda uma seção importante, onde é demonstrado o impacto das principais tecnologias desenvolvidas e transferidas à sociedade. Balanços contábeis e financeiros não indicam os consideráveis benefícios trazidos para o País, que resultam da atividade de instituições públicas de Ciência e Tecnologia. Apenas estudos de impacto, que utilizam metodologia desenvolvida para avaliação de projetos de empréstimos internacionais do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, podem se aproximar desses benefícios. O resultado final é que, enquanto uma empresa como, por exemplo, a Embrapa, registrou prejuízo operacional líquido de R$ 17,7 milhões em 1999, gerou, ao mesmo tempo, uma renda adicional ou economia no valor de R$ 6,2 bilhões para a sociedade. Tais números e depoimentos como os de José Nelson, Otaviano e João Ramos nos fazem seguir adiante. Queremos multiplicar essas sementes e tornar o Brasil mais justo e mais rico.

Alberto Duque Portugal
Diretor-Presidente da Embrapa

 

José Nelson Bispo
Presidente da Associação dos Assentados da Fazenda Bela Conquista

"A nossa Fazenda tem uma história de luta, ocupação, expulsão, nova ocupação, agressão, fogo e, por fim, a vitória, com a gente tendo uma terra p'rá trabalhar. Apesar dos 10 anos da conquista deste assentamento, a nossa luta não acabou, porque agora temos a obrigação de levar nossa experiência para novos assentados que, como nós há 10 anos, estão começando do zero. Aqui nós já estamos produzindo muita coisa. Além da terra, já temos moradia, temos a parceria com a Embrapa, temos gado e temos ovelhas.

Mas, acima de tudo, o que nós mais almejamos é que o trabalho da Embrapa não fique só aqui. Que ele possa chegar a outros assentamentos e comunidades. Depois da chagada da Embrapa aqui na nossa Fazenda, nós estamos dando assistência a outras comunidades que nos visitam e aos outros assentamentos que estão surgindo. Outro desejo que temos é que exista mais nenhum brasileiro sem terra e sem tecnologia. Porque a terra é boa, mas com a tecnologia ela fica melhor.

Com a chegada da Embrapa, descobrimos que existem outros horizontes, que vão além daqueles morros que cercam a nossa Fazenda. Esta parceria fez crescer a nossa fonte de renda, o que foi muito importante para nossas famílias. Por isto é que desejamos que este tipo de assistência siga adiante e que Deus proteja a Embrapa para ela poder ajudar muito mais gente a realizar este sonho maravilhoso, que é produzir na própria terra".


Otaviano Barbosa da Silva
Assentado da Fazenda Bela Conquista

"Anos atrás, a Fazenda Bela Conquista era uma área abandonada, com muito mato e casas caindo. Hoje o quadro é outro. E por isto a gente aposta que a reforma agrária resolve o problema do Brasil, o problema do Nordeste. O trabalhador que não tem terra não adianta ir para a cidade. Ele tem que lutar pela terra, porque a partir da terra se tem condições de viver bem, de viver melhor. Antes da vinda da Embrapa, a gente cultivava hortaliças. Com a chegada da Embrapa, o campo ficou totalmente moderno, uma novidade. A princípio, foi engraçado e até difícil para alguns companheiros entender por que substituir e até arrancar pés de milho para plantar pés de um tal limão Tahiti, que a gente nem sabia que bicho era. Depois, veio o entendimento, vieram as outras frutas tropicais e tudo o que a gente não sabia a gente foi aprendendo. Agora estamos contentes com a parceria com a pesquisa, e podemos afirmar que a nossa alimentação melhorou e também melhoramos financeiramente, porque o que nós não consumimos na Fazenda a gente vende na feira, aos sábados, e depois repartirmos o dinheiro.

Por causa desta nossa experiência, que é a primeira no sertão, nós temos recebido muitas visitas. Tanto de técnicos, como de trabalhadores de áreas de Reforma Agrária e associações comunitárias. E quem sai daqui, sai dizendo: temos muita coisa p'rá aprender.

Eu gostaria que, assim como nós temos este trabalho em conjunto com a Embrapa, que outras comunidades, mesmo não sendo área de Reforma Agrária, tivessem o direito de ter uma assistência igual. O trabalho com a Embrapa nos ajudou muito e constatamos o caminho e a maneira do Nordeste garantir a vida da terra.

Agora a gente não espera só pela chuva. Aprendemos a superar a seca e a fazer o campo dar lucro, zelando por ele, cuidando da terra e dando carinho às plantas. Mas para isto tem que ter, também, um laço bem forte, bem amigo, bem claro, bem aberto, unindo os técnicos e os trabalhadores".


João Ramos da Silva
Colono do Perímetro Irrigado do Jacurici - Dnocs

"Com a vinda da Embrapa para nos assistir, eu e minha família tivemos um grande resultado. Antes, eu plantava tomate, pimentão e feijão de arranque. E era só. Depois da chegada da Embrapa, passamos a cultivar limão, abacaxi, maracujá, mamão, banana, acerola, batata-doce, amendoim e mandioca. De todas as frutas, o limão é o que tem mais futuro, porque ele dá o ano todo. Antes, eu vivia de fase. Tinha fase que eu tinha produto e tinha fase que eu não tinha produto p'ro comércio. Agora eu tenho limão todo o tempo e a comercialização é direta. Hoje, eu estou mais satisfeito, pois a melhoria para o meu trabalho foi muita. A terra se tornou mais produtiva, mudou a realidade da minha roça e melhoraram as condições de sobrevivência de minha família".


Instituições do SNPA que participaram do Balanço Social da Pesquisa Agropecuária Brasileira 1999:

Agricultura Familiar
Reforma Agrária
Apoio Comunitário
Apoio a Comunidades Indígenas
Segurança Alimentar
Meio Ambiente e Educação Ambiental
Educação e Capacitação Profissional Externas
Educação e Capacitação Profissional Internas
Bem-estar, Saúde e Medicina do Trabalho
Impacto das Principais Tecnologias Desenvolvidas e Transferidas à Sociedade
Demonstrativos do Balanço Social