Balanço Social 2016
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Balanço Social da Embrapa: 20 anos de história e novas perspectivas

Uma das grandes questões que geralmente se apresenta às instituições públicas de pesquisa, tanto brasileiras quanto de outros países, é a necessidade de justificar sua existência aos administradores, legisladores e à sociedade em geral. Isso acontece porque a atividade de pesquisa requer grandes investimentos de longo prazo para produzir, muitas vezes, resultados de lenta maturação. Grande parte de seu orçamento anual provém de recursos governamentais, sendo que a venda de tecnologias, produtos e serviços costuma, em geral, representar pequena fração de seu orçamento total.

Diante dessa realidade, os questionamentos do poder público, dos formadores de opinião e de diversos setores sociais são inevitáveis: Qual o real valor dessas instituições para a sociedade? Quais são e onde estão os resultados que essas instituições deveriam gerar? Quais os impactos de ordem econômica, social e ambiental do trabalho por elas realizado? Entre as soluções encontradas para responder a essas questões encontra-se a criação e elaboração de Balanços Sociais.

Na história da Embrapa, o Balanço Social é o resultado da convergência de dois processos: o da realização de estudos de avaliação de impactos a partir da década de 1980 e das profundas mudanças organizacionais ocorridas na Empresa a partir de 1990, que levaram, inclusive, à criação de sua política de comunicação. Ambos os processos encontram-se estreitamente vinculados ao perfil e à trajetória da instituição, criada em 1973 como empresa pública de direito privado. Sua criação foi motivada pelo modelo de desenvolvimento adotado pelo Brasil nessa época, voltado para a substituição de importações com o incremento de sua produção agrícola.

Os estudos de avaliação de impacto

Devido a seu modelo de empresa estatal, a Embrapa sempre foi demandada pelo Governo Federal a avaliar os impactos de seus resultados para evidenciar o retorno dos altos níveis de investimentos públicos realizados. Assim, no início dos anos 80 surgiram os primeiros estudos de avaliação de impacto, com base em estimativas da produção de sementes básicas (para cultivares) e por equipes de pesquisa locais ou regionais da própria Embrapa para estudos relacionados a tecnologias agrícolas. A partir de então, a Empresa passou a ser cada vez mais cobrada pelo Governo a prestar contas dos resultados de suas atividades.

Nas primeiras duas décadas, a orientação teórica adotada nesses trabalhos era fundamentada na dimensão econômica, em busca de retornos gerados pelas tecnologias. No entanto, a partir dos anos 2000, essa abordagem foi ampliada para uma visão multidimensional, com foco inicial em três dimensões de impacto: econômica, social e ambiental. Esse trabalho passou a envolver todos os centros de pesquisa da Embrapa com a adoção de uma metodologia comum tanto para a avaliação econômica quanto para as avaliações de impacto ambiental e social denominadas Ambitec, desenvolvidas pela Embrapa Meio Ambiente. Essa abordagem multimensional de impactos sociais, ambientais e econômicos de uma tecnologia tornou-se marca registrada do Balanço Social da Embrapa e principal fator que o diferencia dos demais instrumentos de avaliação de impacto existentes.

As origens do Balanço Social

Balanço Social é um documento publicado anualmente por organizações públicas e privadas, destinado a seus públicos interno e externo, que reúne um conjunto de informações sobre seus projetos, benefícios e ações sociais. Por meio dessa publicação elas demonstram o que fazem por seus profissionais, dependentes, colaboradores, comunidade e sociedade em geral. Trata-se de um instrumento estratégico criado para avaliar e multiplicar o exercício da responsabilidade social das instituições. As primeiras iniciativas internacionais nesse sentido datam de meados do século XX, mas sua adoção no Brasil recebeu grande impulso com o surgimento, em 1993, da Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, também conhecida como Campanha contra a Fome.

Liderada pelo sociólogo Herbert José de Sousa, por intermédio Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), essa campanha promoveu a aproximação de parte do setor empresarial dos relevantes problemas sociais brasileiros. Essa articulação aconteceu por intermédio do COEP - Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida, criado pelo Governo Federal reunindo diversas empresas estatais, entre elas a Embrapa. Em 1997 o Ibase e o COEP realizaram uma campanha para promover a divulgação voluntária do Balanço Social por parte das empresas. No mesmo ano a Embrapa elaborou a primeira edição de seu Balanço Social e o publicou em abril de 1998,na semana do aniversário da Empresa.

As peculiaridades das instituições de pesquisa

O Balanço Social da Embrapa é uma adaptação do modelo sugerido pelo Ibase. A diferença em relação à proposta original se deve à adaptação de alguns de seus indicadores, então criados especificamente para organizações com fins lucrativos, aliada à inclusão de dados socioeconômicos das tecnologias geradas pela Empresa e já incorporadas ao processo produtivo. No primeiro caso, embora tenha sido fundada como empresa pública para contornar algumas amarras burocráticas do setor público brasileiro, a Embrapa não foi criada para gerar lucros financeiros mas sim o chamado "lucro social", dada a sua contribuição ao desenvolvimento da agropecuária brasileira. O maior desafio do Balanço Social consiste, portanto, em demonstrar o papel da pesquisa agropecuária como um esforço estratégico para o país. Para isso, precisou incorporar à publicação, além dos indicadores sociais, aqueles decorrentes de estudos de impactos de tecnologias que já vinham sendo tradicionalmente realizados desde os anos 80.

Devido a essa necessidade de demonstrar dados e evidências de que a Embrapa, como uma instituição pública de pesquisa, requer investimentos de longo prazo para produzir, em geral, resultados de lenta maturação, o Balanço Social da Embrapa acabou adquirindo características próprias. Essas características o distinguem do padrão da maioria das publicações de prestações de contas (accountability) hoje em vigor no Brasil, tais como o próprio modelo do Ibase, o modelo do GRI (Global Reporting Initiative) e o do Instituto Ethos, que não são adequados à missão de instituições públicas de C&T. Neste caso, o Balanço Social da Embrapa possui um perfil bem definido: trata-se de um documento que, acima de tudo, é parte do processo de prestação de contas ao Governo e à sociedade brasileira sobre os retornos dos investimentos em pesquisa agropecuária.

O modelo Embrapa: referência nacional e internacional em C&T

Apesar desse perfil mais restrito, este Balanço Social vem servindo de referência a muitas outras instituições de pesquisa similares, tais como a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e o Instituto Nacional de Investigación Agropecuária (INIA) do Uruguai. Em 2016, a Corporación Colombiana de Investigación Agropecuaria (CORPOICA) passou a adotar a metodologia de Balanço Social da Embrapa por intermédio de acordo de cooperação internacional e já está se preparando para lançar o seu primeiro balanço referente ao ano de 2017. Da mesma forma, as instituições de pesquisa agropecuária participantes do Programa Cooperativo para o Desenvolvimento Tecnológico, Agroalimentar e Agroindustrial do Cone Sul (Procisur) deverão adaptar essa mesma metodologia para suas respectivas realidades, conforme está sendo tratado pela Secretaria Executiva daquele programa. Além disso, em recente estudo realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a experiência da Embrapa na avaliação de impactos da pesquisa agropecuária e na elaboração de Balanço Social foi colocada no mesmo patamar que o de prestigiadas instituições similares de outros países como o Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS/USDA) dos Estados Unidos, o Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola (INRA) da França e a Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Comunidade Britânica (CSIRO) da Austrália, ou supranacionais, como os 15 centros de pesquisa do Consórcio de Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR). A OCDE propõe, inclusive, nesse documento, a formação de um grupo de trabalho para padronizar essas experiências em nível internacional.

Essa iniciativa da Embrapa de avaliação de impacto multidimensional de tecnologias, documentada via o seu Balanço Social de forma continuada durante 20 anos, é considerada uma experiência pioneira e bem sucedida no âmbito das organizações nacionais e internacionais de pesquisa agropecuária. Esse sucesso se deve, em grande medida, à sua capacidade de incorporar em suas edições, quando necessário, novos temas e metodologias, de acordo com as transformações em curso nos ambientes interno e externo da Empresa. Nesse sentido, este Balanço Social pode ser considerado um organismo vivo, em permanente evolução.

A metodologia do Balanço Social da Embrapa

Desde a criação do Balanço Social em 1997 sua metodologia vem sendo aprimorada de forma a exprimir com a maior fidedignidade possível os resultados, benefícios e impactos do trabalho desenvolvido pela Embrapa à comunidade, ao mercado e à sociedade brasileira. Conforme pode ser observado na tabela apresentada a seguir, houve uma evolução das primeiras edições que contemplavam um limitado número de dimensões de avaliação de impactos, tais como as ações sociais desenvolvidas pela Empresa, os impactos econômicos de suas tecnologias e seu lucro social. Ao longo do período foram agregadas à publicação informações tais como os impactos ambientais e sociais, a geração de empregos, premiações e o reconhecimento da sociedade. Mais recentemente foram incorporados os casos de sucesso, a especificação da taxa interna de retorno (TIR) de cada tecnologia, os impactos de políticas públicas e a análise das contribuições da Empresa no ambiente da comunidade científica. Também foram incluídas informações sobre as ações de equidade de gênero e raça realizadas pela Instituição.

Tabela 1. Evolução do Balanço Social da Embrapa de 1997 a 2006.

Temas 1997 2003 2008 2011 2014 2016
Ações Sociais X X X X X X
Receita Operacional Líquida (ROL) X X X X X X
Resultado Operacional X X X X X X
Impactos Econômicos X X X X X X
Lucro Social X X X X X X
ROL/Impactos X X X X X X
ROL/Lucro Social X X X X X X
Impactos Ambientais   X X X X X
Impactos Sociais   X X X X X
Empregos Gerados   X X X X X
Reconhecimento da Sociedade   X X X X X
Casos de Sucesso     X X X X
Taxa Interna de Retorno (TIR)       X X X
Impactos Políticas Públicas         X X
Impactos do Conhecimento Científico         X X
Ações de Equidade Gênero/Raça         X X
Valorização Patrimonial           X

Ao completar 20 anos o Balanço Social atingiu a sua maturidade e hoje é um documento sintético que evidencia os impactos da Embrapa em múltiplas dimensões aplicando uma metodologia de avaliação de impactos econômicos comum que permite comparações com anos anteriores, já que segue com avaliações de um grupo da ordem de 100 tecnologias desenvolvidas e já adotadas, consideradas casos de sucesso da Empresa. Tais tecnologias são avaliadas do ponto de vista dos impactos sociais e ambientais também por meio de uma metodologia comum, denominada Ambitec. Neste caso, a avaliação é realizada com base em 14 critérios sociais e 13 critérios ambientais em levantamento de dados de campo, em uma amostra de no mínimo 10 usuários de cada inovação tecnológica.

Principais impactos da pesquisa agropecuária

O ano de 2016 foi bastante prolífico para a Embrapa e seus parceiros, ao registar uma série de benefícios proporcionados pela pesquisa agropecuária. Entre eles se encontra o aumento da produção e da visibilidade da produção científica da Embrapa em relação à produção global da ciência brasileira, o reconhecimento dos resultados e do uso do sistema de Integração Lavoura, Pecuária, Floresta (ILPF) desenvolvido pela Empresa bem como o lançamento das bases de um novo indicador de impacto da pesquisa agropecuária a ser utilizado pela Embrapa, que é a valorização patrimonial no campo, dadas as inovações geradas pela Empresa.

Sistema ILPF torna o Brasil mais produtivo e reduz emissão de gases de efeito estufa

A Embrapa acaba de ser reconhecida pelos resultados e impactos positivos de uma iniciativa inédita e revolucionária, proposta há mais de 30 anos. Trata-se do sistema de Integração Lavoura, Pecuária, Floresta (ILPF), desenvolvido a partir dos anos de 1980 (Sistemas Barreirão e Santa Fé) com experimentos de integração lavoura-pecuária e, nos anos 2000, com a agregação do componente florestal. A viabilidade dessa tecnologia demonstrada desde seus primeiros experimentos, associada ao sucesso de sua implementação nos últimos anos, levou à criação, em 2012, da Rede de Fomento ILPF, formada por 19 unidades da Embrapa em parceira com a iniciativa privada. Atualmente essa rede apoia 97 Unidades de Referência Tecnológica (URT), que ainda contam com o apoio de publicações e uma página temática exclusiva na Internet da Empresa (https://www.embrapa.br/tema-integracao-lavoura-pecuaria-floresta-ilpf).

Em recente estudo encomendado pela Rede de Fomento ILPF à consultoria Kleffman Group, e divulgado pela revista Globo Rural na sua edição de aniversário, em novembro de 2016, a área ocupada com a adoção dessa tecnologia no Brasil já alcança 11,5 milhões de hectares e apresenta diversos benefícios. Entre eles, o que mais se destaca atualmente é o componente ambiental. Os números demonstram que o Brasil já cumpriu com folga o compromisso internacional assumido na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 21), em dezembro de 2015, de incorporar cinco milhões de hectares à ILPF até 2030. Dessa forma, o país contribui para a redução em 37% de emissão de gases de efeito estufa (GEE) até 2025 e 43% até 2030. Isso acontece porque o ILPF é capaz de sequestrar 35,1 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) equivalente no solo. A cada 4 milhões de hectares, há uma mitigação de 18 milhões a 22 milhões de toneladas de CO2 equivalente. A redução de GEE, no entanto, é apenas uma das consequências da adoção do ILPF, que apresenta muitas outras vantagens.

A principal característica do sistema de Integração Lavoura, Pecuária, Floresta é a articulação de sistemas de produção de alimentos, fibras, energia e produtos madeireiros e não madeireiros, realizados na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotação, para otimizar os ciclos biológicos de plantas e animais, insumos e seus respectivos resíduos. Essa tecnologia proporciona a manutenção e reconstituição de cobertura florestal, a recuperação de áreas degradadas, a adoção de boas práticas agropecuárias (BPA) e o aumento da eficiência da agropecuária no uso de máquinas, equipamentos e mão de obra, possibilitando, assim, a geração de emprego e de renda, melhoria das condições sociais no meio rural e redução de impactos ao meio ambiente, inclusive a redução de emissão de GEE. Sob o aspecto produtivo, o ILPF pode proporcionar até quatro safras por ano na mesma área: soja, milho, boi e palhada de braquiária para o plantio direto, sem contar com uma safra parcial de eucalipto, caso também haja floresta.

Em razão de seus benefícios econômicos, sociais e ambientais, o ILPF foi incluído entre as tecnologias que compõem o Plano setorial para a consolidação de uma economia de baixa emissão de carbono na agricultura (Plano ABC), criado pelo governo Federal em 2010 e coordenado pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Além disso, resultou na instituição, em 2013, da Política Nacional de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. De fato, a partir de sua implantação, os pecuaristas e as médias propriedades são os que mais adotaram a tecnologia em seus diferentes arranjos possíveis: integração lavoura-pecuária (ILP), integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), integração pecuária-floresta (IPF) e integração lavoura-floresta (ILF). Desse total de arranjos, segundo o levantamento realizado pela Kleffman, 10% dos produtores rurais adotaram o arranjo completo, com o componente florestal. Nos últimos cinco anos, a adoção do sistema cresceu 10% entre os pecuaristas e 1% e entre os agricultores. Entre os pecuaristas, 82% adotaram o sistema ILP, 9% ILPF e 7% IPF, sendo que boa parte deles são os que já lidam com tecnologias inovadoras. Já os produtores de grãos se preocupam em diversificar a produção para aumentar a rentabilidade e reduzir os riscos financeiros. Nesse grupo 99% adotaram a estratégia ILP.

Dada a elevada taxa de adoção do sistema ILPF no Brasil, hoje superior a 11 milhões de ha, e os ganhos econômicos líquidos adicionais observados pela Rede ILPF, os impactos desse sistema tendem a estar entre os mais significativos já registrados no Balanço Social. Nos próximos anos deverão ser desenvolvidos esforços no âmbito da Embrapa e da própria Rede no sentido de monitorar tais impactos visando a valoração desses ganhos econômicos. Em outras palavras, o sistema ILPF gera uma série de impactos multidimensionais (econômicos, sociais e ambientais) envolvendo várias cadeias produtivas, que o credenciam como mais um caso de sucesso da pesquisa agropecuária brasileira.

O papel da pesquisa na valorização patrimonial do meio rural

A safra de 2016/17 foi recorde, atingindo valores da ordem de 220 milhões de toneladas de grãos. Essa produção, segundo a Confederação Nacional de Agricultura (CNA), deverá gerar à economia brasileira uma renda da ordem de 240 bilhões de reais, com impactos extremamente positivos, especialmente para a geração de divisas e o controle da inflação. Essa pujança do agronegócio evidencia outro indicador de impacto da pesquisa agropecuária, ainda não medido pela Embrapa: a valorização patrimonial no campo. Tal valorização já está sendo objeto de estudos por parte do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e do Banco Mundial.

Por valorização patrimonial consideram-se os ganhos reais ocorridos nos valores das terras, dos imóveis e benfeitorias associados à expansão da agricultura no país. Esse fenômeno já vem sendo abordado na literatura mundial e, particularmente, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, mas o papel das instituições de pesquisa agropecuária brasileiras nesse processo ainda não vem sendo tratado com profundidade. Dados preliminares levantados pela Embrapa sobre a valorização das propriedades rurais no Brasil nas últimas décadas, indicam que os valores das terras passaram de cerca de 400 bilhões de dólares, em 1992, para mais de 1,4 trilhão de dólares, em 2015. Por outro lado, estima-se que, em razão dos avanços tecnológicos no campo, os valores de máquinas, equipamentos e do rebanho, evoluíram de cerca de 200 bilhões para mais de 700 bilhões de dólares no mesmo período.

Embora essas estimativas ainda requeiram uma análise mais aprofundada, o que se constata preliminarmente é que o trabalho da pesquisa agropecuária está no cerne dessa valorização. Um exemplo patente nesse sentido se encontra na modernização da agricultura na região dos cerrados com a decorrente valorização de suas terras. Se a Embrapa está associada diretamente à transformação desse bioma em celeiro nacional com a incorporação de muitas de suas tecnologias, então a Instituição também exerceu papel importante no aumento dos preços das propriedades rurais ali instaladas.

A partir dessas evidências, o tema da valorização patrimonial deverá ser explorado neste Balanço Social, inclusive em razão do reconhecimento público desse fenômeno evidenciado por instituições como a CNA, particularmente sobre a relação entre pesquisa agropecuária e valorização patrimonial no Brasil, ocorrida nas últimas décadas. Dessa forma, no futuro esse novo indicador deverá se juntar aos tradicionais impactos econômicos derivados da geração de renda adicional com a adoção de tecnologias da Embrapa, assim como os impactos ambientais (redução no uso de agroquímicos e na emissão de gases, por exemplo) e sociais (geração de empregos, entre outros).

Impactos da produção científica do Brasil na Web of Science e a posição da Embrapa

Em 2016, a Secretaria de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Embrapa realizou um amplo estudo na Web of Science (WoS) no sentido de avaliar o papel da Empresa na produção científica brasileira. Para tanto, foram analisados 354 mil registros da WoS publicados entre 2005 e 2015, cujos autores indicaram na sua afiliação o Brasil, o que permitiu avaliar o quadro da produção da Empresa em relação às demais instituições nacionais. Foram analisados todos os artigos e artigos de revisão. Os dois tipos são denominados doravente "artigos". Os números desta amostra Brasil indicam um crescimento importante da produção nacional saindo de 17.414 artigos em 2005, para superar a barreira dos 20 mil artigos em 2007, a dos 30 mil em 2009 e a dos 40 mil em 2013, e atingir 43.386 artigos em 2015.

Dos dez primeiros lugares em produção de artigos no Brasil apenas duas instituições, Embrapa e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), não são universidades. Entre os cinquenta primeiros 39 são instituições de ensino superior brasileiras. Sete instituições brasileiras não são universidades e outras quatro são organizações estrangeiras. Das brasileiras não universidades entre as 50 organizações mais prolíficas, além das duas já citadas, a APTA-SP, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPFis-BR). Das quatro estrangeiras, duas são instituições de ensino superior, a Universidade de Harvard e a Universidade de Illinois e as outras duas são instituições de fomento, o Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França e o Conselho Superior de Pesquisa Científica (CSIC-SPA) da Espanha.

A Universidade de São Paulo (USP), cuja produção é mais do dobro da segunda instituição, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) é quem produz mais artigos científicos no Brasil. Seguem-se a Universidade de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Veja mais detalhes na Tabela 2 a seguir.

Tabela 2. Produção de artigos por ano pelas 50 primeiras instituições brasileiras e parceiros estrangeiros, de 2005 a 2015.

Class. Organização 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 Total
1 USP-Univ Sao Paulo 4.381 4.905 6.066 6.832 7.258 7.369 7.815 8.472 8.645 8.867 9.177 79.787
2 Unesp 1.312 1.486 1.995 2.454 2.661 2.759 3.135 3.276 3.438 3.687 3.647 29.850
3 Unicamp 1.726 1.965 2.059 2.355 2.371 2.511 2.549 2.826 2.915 2.867 2.971 27.115
4 UFRJ 1.490 1.584 1.852 2.034 2.147 2.220 2.309 2.600 2.653 2.773 2.799 24.461
5 UFRGS 1.024 1.149 1.427 1.915 1.852 1.976 2.140 2.321 2.424 2.564 2.528 21.320
6 UFMG 908 1.079 1.249 1.525 1.549 1.634 1.854 2.103 2.228 2.243 2.366 18.738
7 Unifesp 640 778 1.063 1.235 1.340 1.482 1.517 1.672 1.743 1.753 1.773 14.996
8 Embrapa 478 561 834 1.043 1.080 1.102 1.290 1.350 1.489 1.513 1.466 12.206
9 Fiocruz 523 645 786 1.011 1.128 1.160 1.180 1.252 1.302 1.406 1.425 11.818
10 UFSC 485 551 648 841 905 1.020 1.056 1.202 1.321 1.325 1.440 10.794
11 UFPR 454 519 666 816 916 953 1.067 1.241 1.281 1.356 1.400 10.669
12 UFV 360 455 545 735 860 874 998 1.035 1.067 1.095 1.090 9.114
13 UnB-BR 430 442 585 633 783 809 869 983 1.055 1.060 1.177 8.826
14 UFPE 448 447 518 659 732 780 896 1.008 1.055 1.071 1.113 8.727
15 UFSCar 491 508 565 712 747 740 797 955 946 1.018 1.003 8.482
16 UFC 375 392 507 570 703 697 811 929 966 907 975 7.832
17 UFSM 271 339 437 669 689 711 827 853 985 935 1.042 7.758
18 UERJ 338 378 513 670 649 677 763 779 902 830 898 7.397
19 UFF 311 354 485 591 636 628 758 817 909 914 977 7.380
20 UEM 259 322 361 534 537 532 614 654 709 747 794 6.063
21 UFBA 308 303 403 453 470 543 589 615 735 724 781 5.924
22 UFLA 175 186 343 443 544 514 636 647 609 655 636 5.388
23 UFG 196 181 223 375 438 514 563 632 730 752 751 5.355
24 UFPB 196 207 288 332 432 484 512 606 632 710 703 5.102
25 UFRN 214 229 259 316 349 411 492 591 626 764 796 5.047
26 UFPel 113 139 231 368 373 433 481 494 623 658 724 4.637
27 UFU 154 186 241 310 395 407 482 521 622 589 621 4.528
28 UEL 151 194 299 351 353 409 448 539 612 555 610 4.521
29 UFPA 141 169 206 242 320 351 461 457 580 530 588 4.045
30 APTA 171 189 369 336 363 350 436 361 375 382 386 3.718
31 UFES 105 131 154 220 278 317 391 469 516 539 561 3.681
32 Univ PUC RS 158 229 247 300 266 348 357 374 381 405 402 3.467
33 UFRPE 69 91 160 243 329 363 395 429 425 408 443 3.355
34 UFJF 84 113 140 185 203 246 325 492 463 488 594 3.333
35 Univ PUC RJ 204 222 230 250 245 251 267 348 382 411 389 3.199
36 INPE-BR 257 247 244 271 279 271 288 275 296 346 257 3.031
37 UFABC 1 48 154 219 277 372 472 495 466 514 3.018
38 CNEN 236 236 249 279 265 287 261 312 291 343 255 3.014
39 UFRRJ 95 96 183 267 267 265 327 332 330 369 355 2.886
40 CNRS-FR 135 139 121 134 146 223 290 430 358 390 478 2.844
41 UFMT 59 69 102 123 216 241 295 300 400 411 452 2.668
42 Univ Harvard 104 99 133 141 163 170 231 357 379 385 501 2.663
43 UFS 46 67 115 132 141 231 299 320 372 402 392 2.517
44 UFCG 98 86 135 137 220 222 254 276 305 358 307 2.398
45 UTFPR 35 58 70 102 153 155 220 282 369 377 537 2.358
46 CSIC-SPA 65 76 78 93 93 154 249 362 325 380 452 2.327
47 INPA-BR 99 108 123 174 207 197 219 262 291 321 310 2.311
48 UENF 130 133 172 224 223 240 247 222 212 228 265 2.296
49 CBPFis-BR 121 113 133 158 119 146 197 322 312 317 322 2.260
50 Univ Illinois 99 82 97 114 122 158 252 345 298 316 367 2.250

As características da produção científica brasileira


Um fato curioso é que os artigos científicos presentes numa base de dados internacional como a WoS são em maioria absoluta na língua inglesa, inclusive para os artigos científicos produzidos por instituições brasileiras. Neste último caso, 85% dos 354 mil artigos foram escritos em inglês, 14% em português e 1% em outros idiomas.

Em termos de países que participam na produção destes artigos destacam-se, na ordem, os Estados Unidos, o Reino Unido, a França, Alemanha, Espanha, Itália, o Canadá, Portugal, Argentina e Austrália. Veja mais detalhes na Tabela 3.

Tabela 3. Produção de artigos por ano pelos 30 principais países parceiros de 2005 a 2015.

Class. País 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 Total
1 Estados Unidos 1.959 2.168 2.506 2.767 3.023 3.205 3.598 4.201 4.519 5.093 5.598 38.637
2 Reino Unido 664 706 833 867 922 1.033 1.264 1.578 1.739 1.896 2.229 13.731
3 França 718 764 764 936 1.025 1.141 1.227 1.605 1.634 1.785 1.994 13.593
4 Alemanha 645 684 706 782 785 974 1.161 1.407 1.499 1.678 1.863 12.184
5 Espanha 306 409 480 610 684 829 1.019 1.371 1.493 1.734 2.028 10.963
6 Itália 326 424 418 490 534 644 777 1.015 1.197 1.349 1.587 8.761
7 Canada 370 382 401 560 671 612 730 911 995 1.129 1.323 8.084
8 Portugal 207 300 236 374 418 494 649 883 963 1.137 1.261 6.922
9 Argentina 346 357 401 512 492 538 622 727 716 790 862 6.363
10 Austrália 163 183 226 259 313 349 434 705 797 910 1.062 5.401
11 Holanda 208 220 216 286 323 351 454 672 685 825 925 5.165
12 China 149 140 130 169 206 306 423 646 680 772 858 4.479
13 Suíça 123 168 186 194 224 306 454 670 665 672 812 4.474
14 México 145 169 175 223 236 282 361 455 571 557 615 3.789
15 Chile 141 168 193 208 249 277 340 458 482 579 662 3.757
16 Rússia 178 173 178 204 199 257 353 542 511 556 586 3.737
17 Colômbia 85 105 126 212 221 299 405 507 505 528 667 3.660
18 Japão 208 237 204 204 219 266 348 419 429 510 563 3.607
19 Índia 134 135 157 168 199 258 336 387 448 553 576 3.351
20 Bélgica 117 136 156 169 201 265 333 382 441 508 595 3.303
21 Suécia 135 151 164 210 188 231 283 438 424 462 543 3.229
22 Polônia 69 82 80 97 113 167 294 477 456 459 490 2.784
23 República Tcheca 76 105 87 116 121 152 259 424 354 355 425 2.474
24 Áustria 63 80 74 85 114 174 247 387 347 381 414 2.366
25 Dinamarca 56 76 75 81 95 133 189 314 305 353 470 2.147
26 Coreia do Sul 80 80 89 105 134 177 228 288 297 283 315 2.076
27 África do Sul 44 51 48 81 84 114 172 281 294 304 370 1.843
28 Grécia 26 43 36 41 43 114 180 336 303 297 340 1.759
29 Turquia 26 34 40 37 39 89 162 323 298 358 351 1.757
30 Hungria 34 53 48 52 52 109 180 309 274 284 340 1.735

Os quatro artigos mais citados da produção brasileira foram publicados entre 2005 e 2012 e possuem mais de 3 mil citações. O primeiro foi publicado em 2008, no New England Journal of Medicine, revista dos Estados Unidos. Esta revista tem um escore ainda melhor; ela publica o quarto artigo mais citado e outros três artigos entre os dez mais citados do Brasil. As outras revistas neste seleto patamar são: Physics Letters B, do Reino Unido, com dois artigos (o segundo e o terceiro mais citados) e Ecography, Science e Lancet com um artigo cada. As instituições brasileiras que participam nos quatro artigos mais citados são a USP, em dois artigos, Unesp, UFRJ, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidades Federais de Juiz de Fora (UFJF), de São João del Rei (UFSJR), do ABC (UFABC), o CBPFis-BR, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológio (CNPq) e Hospital Santa Casa de São Paulo (Hosp Sta Casa SP) um artigo cada.

São as seguintes as referências sucintas desses quatro primeiros artigos:

  • (3825) Llovet, Josep M. et all. Sorafenib in advanced hepatocellular carcinoma; NEW ENGLAND JOURNAL OF MEDICINE; JUL 24; 2008

  • (3516) Aad, G. et all. Observation of a new particle in the search for the Standard Model Higgs boson with the ATLAS detector at the LHC; PHYSICS LETTERS B; SEP 17; 2012

  • (3338) Chatrchyan, S. et all. Observation of a new boson at a mass of 125 GeV with the CMS experiment at the LHC; PHYSICS LETTERS B; SEP 17; 2012

  • (3332) Shepherd, FA. et all. Erlotinib in previously treated non-small-cell lung cancer; NEW ENGLAND JOURNAL OF MEDICINE; JUL 14; 2005.

Quanto às instituições financiadoras, CNPq, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) vêm nos seis primeiros lugares seguidos pela Comunidade Européia, os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), a Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (US NSF), o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (US NIH), Governo da Espanha e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs).


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