Balanço Social 2015
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A Embrapa no Brasil
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Impactos essenciais em P&D Agrícola

A pesquisa e desenvolvimento agrícola (P&D) possui papel fundamental na promoção do crescimento econômico e segurança alimentar de um país. Sua implementação ocorre, em grande medida, a partir da formulação de políticas, cujos resultados vêm sendo cada vez mais demandados pelo Estado e pela sociedade.

Tratando-se de prestação de contas o ano de 2015 foi bastante frutífero para a Embrapa e seus parceiros. Como poderá ser constatado a seguir, muito trabalho foi realizado no sentido de propiciar à sociedade brasileira e aos gestores públicos dados relevantes para a tomada de decisão no âmbito da agropecuária.

Entre os principais resultados alcançados em 2015 pela Embrapa se encontra o lucro social de R$ 26, 87 bilhões. Esse número foi obtido a partir da avaliação dos impactos econômicos de 104 tecnologias e de cerca de 200 cultivares desenvolvidas e transferidas para a sociedade que representam 96,6% do lucro social demonstrado pela Empresa. Outro dado importante demonstrou que investir em tecnologia realmente vale a pena: a relação lucro social/receita líquida em 2015 foi de 9,23.

Essa relação da receita de 2015 com o lucro social, no contexto do Balanço Social, embora não possa ser interpretada com a tradicional relação custo/benefício, dado que o benefício é decorrente de investimentos passados, nos dá uma indicação de que está havendo retorno à sociedade.

Esse retorno é ainda mais evidente quando se leva em conta os custos para a Embrapa da geração das tecnologias monitoradas e avaliadas desde 1997, ano de criação do Balanço Social, com os benefícios gerados. Nas diversas tabelas apresentadas neste Balanço Social 2015, são informadas as taxas internas de retorno de tais investimentos, que, na média, é de 39,1%. Por outro lado, os índices de avaliação dos impactos ambientais e sociais, também explicitados no documento, indicam que, na percepção dos produtores, a adoção das tecnologias Embrapa tem gerado impactos positivos.

No âmbito da geração de empregos, foram criados pela Embrapa 71.787 postos em 2015. Este é um patamar mínimo, pois se refere aos novos empregos gerados pelas 104 tecnologias avaliadas neste Balanço. Como a Empresa, ao longo de sua história, desenvolveu e transferiu milhares de tecnologias, produtos e serviços para a sociedade brasileira, esse impacto no número de empregos criados, a cada ano, é muito maior.

Ainda sob o ponto de vista dos impactos sociais, a Embrapa realizou 1.056 ações de relevante interesse contemplando assessoria, representação e subsídios técnicos externos; bem-estar, saúde e segurança no trabalho; capacitação profissional, atualização tecnológica e intercâmbio de conhecimentos; desenvolvimento social e organização comunitária; meio ambiente e educação ambiental; produtos de informação e comunicação tecnológica; promoção ou participação em feiras e exposições; segurança alimentar, nutricional e inclusão produtiva; e soluções tecnológicas inovadoras.

Outra evidência de que a Embrapa tem gerado impactos é o reconhecimento pela sociedade de seu envolvimento na solução dos problemas brasileiros, o que lhe rendeu no ano passado 53 prêmios e homenagens recebidos por seus empregados, produtos, ações e projetos. A responsabilidade social da Embrapa se reflete também em mais de mil ações sociais.

Impacto da produção científica do Brasil na Web of Science e a posição da Embrapa

Em 2015, a Secretaria de Gestão e Desenvolvimento Institucional (SGI) da Embrapa realizou um amplo estudo na Web of Science no sentido de avaliar o papel da Empresa na produção científica brasileira. Para tanto, foram analisados 262 mil registros da Web of Science (WoS) publicados entre 2004 e 2013, cujos autores indicaram na sua afiliação o Brasil, o que permitiu avaliar o quadro da produção de artigos da Empresa em relação às demais instituições nacionais.

Os números desta amostra Brasil indicam crescimento importante da produção brasileira a partir de 2008 passando de 13.744 artigos em 2004 para 39.570 em 2013.

Figura 1. Evolução da produção nacional na WoS 2004-2013.

Por outro lado, a Tabela 1 mostra a evolução das citações dos artigos de pesquisadores brasileiros no período 2004/2013. Embora tenha havido um crescimento exponencial, quando analisamos as citações destes artigos verifica- se que a presença dos artigos brasileiros nos segmentos de maior citação, de 50 ou mais citações, é inferior às médias registradas na WoS.

Tabela 1. Artigos do Brasil por classe de citação.

Ano 0 1 2a4 5a9 10a14 15a24 25a49 50a99 100+ Total
2004 881 806 2.159 2.827 1.972 2.273 1.894 676 256 13.744
2005 1.058 887 2.536 3.279 2.156 2.343 1.951 716 252 15.178
2006 1.302 1.129 3.175 3.726 2.368 2.568 1.903 596 227 16.994
2007 1.782 1.407 3.495 3.764 2.154 2.130 1.465 462 168 16.827
2008 3.929 2.905 6.469 6.072 3.150 2.819 1.815 503 171 27.833
2009 5.110 3.566 7.598 6.444 3.077 2.683 1.502 391 132 30.503
2010 5.854 4.117 8.217 6.370 2.797 2.083 1.095 263 115 30.911
2011 8.235 5.232 9.703 6.465 2.352 1.433 689 159 69 34.337
2012 12.241 6.712 10.098 5.112 1.452 801 306 101 35 36.858
2013 16.797 7.820 9.301 3.561 1.222 549 217 75 28 39.570
Total 57.976 35.254 64.661 50.104 24.443 21.734 14.563 4.615 1.703 262.755
% Brasil 22,06 13,42 24,61 19,07 9,30 8,27 5,54 1,76 0,65 -
% WoS* 47,72 8,76 12,93 10,24 5,52 5,83 5,26 2,49 1,26 -
* Fonte: dados obtidos em Garfield (2005, p.8).

O maior esforço de publicação foi dirigido a periódicos editados no exterior, que receberam cerca de 70% do total de artigos. No entanto, esta produção está dispersa em um número grande de periódicos ao passo que a produção encaminhada a periódicos nacionais é mais concentrada. Os 20 periódicos que receberam o maior número de artigos são majoritariamente nacionais.

Quando o assunto é citação em bases de dados internacionais, a preferência por periódicos estrangeiros parece justificar-se. Enquanto os artigos com cem ou mais citações publicados em revistas do Brasil somam 20, na categoria revistas estrangeiras eles são 1.683.

Tabela 2. Citações de artigos por origem do periódico, por ano.

Periódico 0 1 2a4 5a9 10a14 15a24 25a49 50a99 100+ Total %
EXTERIOR 26.512 21.167 45.549 40.505 21.469 20.084 13.973 4.513 1.683 195.455 71,06
BRASIL 31.445 14.082 19.107 9.594 2.973 1.650 590 102 20 79.563 28,93

Avaliando as parcerias por países surgem com vigor colaborações com nações fora do circuito tradicional de Estados Unidos, França, Reino Unido e Alemanha, por exemplo. São elas, Argentina, Austrália, China, Rússia, México, Chile e Colômbia. Quando o foco muda para as citações, a lista de países novamente se altera. Aparecem em destaque a Dinamarca, Taiwan, Hungria, Bélgica, Tailândia, Africa do Sul e Cingapura, entre outros.

Ao analisar-se as parcerias por instituições, os resultados confirmam que a Embrapa está entre os dez maiores produtores de artigos científicos do país e ocupa o primeiro lugar entre as instituições de pesquisa, praticamente empatada com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em segundo.

Tabela 3. Produção cientifica brasileira na WoS, 2004-2013, por instituições, por ano.

Instituicoes 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Total
USP-Univ Sao Paulo 3.566 3.878 4.287 4.230 6.414 6.947 6.936 7.488 8.086 8.522 63.506
UNESP 1.034 1.182 1.330 1.383 2.337 2.581 2.603 3.031 3.128 3.364 22.895
Unicamp 1.396 1.500 1.672 1.352 2.177 2.294 2.322 2.451 2.690 2.858 21.958
UFRJ 1.236 1.295 1.347 1.230 1.879 2.052 2.043 2.246 2.475 2.607 19.448
UFRGS 838 913 1.012 1.037 1.808 1.800 1.876 2.070 2.258 2.402 16.745
UFMG 680 814 940 898 1.449 1.474 1.541 1.787 1.999 2.190 14.416
UNIFESP 537 587 711 811 1.168 1.291 1.411 1.453 1.604 1.736 11.798
Embrapa 450 453 530 574 1.017 1.068 1.079 1.252 1.296 1.475 9.647
Fiocruz 467 488 565 578 975 1.096 1.093 1.136 1.178 1.298 9.279
UFPR 347 428 478 486 785 903 887 1.040 1.178 1.257 8.141
UFSC 359 409 463 489 786 873 962 1.032 1.162 1.301 8.113
UFV 287 344 439 389 726 857 862 969 1.001 1.062 7.215
UFSCar 432 403 440 377 657 708 678 776 916 933 6.691
UFPE 293 377 362 365 615 705 736 854 978 1.030 6.579
UnB-BR 299 325 361 402 571 747 760 836 932 1.041 6.537
UFC 261 344 350 329 537 687 643 785 902 957 5.981
UFSM 201 244 311 309 647 673 699 796 811 967 5.854
UERJ 316 302 328 332 609 612 626 746 749 881 5.740
UFF 264 260 299 330 556 609 575 734 768 888 5.491
UEM 212 207 278 252 509 516 497 590 624 701 4.585

A classificação altera-se mais uma vez quando buscamos as instituições que participaram na elaboração dos artigos com maior número de citações. Dessa vez, no entanto, das 20 primeiras instituições, apenas seis são brasileiras, a saber, USP, UFRJ, Unicamp, UFRGS, UFMG e Unifesp.

Downloads de publicações técnico-científicas

A produção científica da Embrapa contempla, além de artigos publicados em periódicos científicos, os mais diferentes produtos informacionais (manuais técnicos, cartilhas etc.). O surgimento das novas tecnologias de informação e comunicação colocou essa diversidade de produtos em evidência ao ser disponibilizada pela Empresa em meios eletrônicos. A existência desses produtos e sua decorrente apropriação pela sociedade, por meio de downloads em diversos sistemas eletrônicos (bases e repositórios da Embrapa, Google etc.) faz toda a diferença no caso de uma instituição como a Embrapa. Afinal, sua missão não se limita à realização de pesquisa básica, mas também de pesquisa aplicada, produtos e serviços.

Essa dimensão de impacto passou a ser considerada na Empresa para avaliar seus resultados de pesquisa. Alguns dados preliminares indicam que num período de seis anos, entre 2009 e 2015, foram distribuidos 16 milhões de diferentes documentos da Embrapa por meio de downloads. Uma amostra dessa produção pode ser constatada na tabela abaixo, em que é possível conhecer os documentos mais baixados no portal de internet da Embrapa.

Tabela 4. Publicações da Embrapa por tipo e por número de downloads de 2009 a 2015.

  # Downloads Unidade Título Tipo de publicação
1 44.019 Algodão Conceitos básicos de técnicas em biologia molecular Série Documentos
2 37.479 Semiárido Producao de alface hidroponica: um estudo de viabilidade tecnico-economica Artigo em anais de congresso
3 30.984 Florestas Manual de procedimentos de amostragem e análise físico-química de água Série Documentos
4 28.694 Amazônia Oriental Manual sobre criação de galinha caipira na agricultura familiar: noções básicas Série Documentos
5 27.857 Semiárido Preparo e uso de biofertilizantes líquidos Comunicado Técnico
6 24.754 Soja Tecnologia para produção do óleo de soja: descrição das etapas, equipamentos, produtos e subprodutos Série Documentos
7 21.251 Amazônia Oriental Cultivo da ipecacuanha [Psychotria ipecacuanha (Brot) Stokes] Série Documentos
8 17.477 Hortaliças Horta em pequenos espaços Livro técnico
9 15.779 Amazônia Ocidental Manual de procedimentos do Laboratório de Cultura de Tecidos da Embrapa Amazônia Ocidental Série Documentos
10 15.473 Meio Norte Criação de galinhas caipiras Coleção ABC Agricultura Familiar
11 15.382 Mandioca e Fruticultura Sistemas de irrigação para agricultura familiar Circular Técnica
12 12.218 Clima Temperado Instruções para o cultivo da acerola Circular Técnica
13 11.730 Amazônia Ocidental Normas de elaboração de Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) para o Laboratório de Biologia Molecular da Embrapa Amazônia Ocidental Série Documentos
14 11.382 Mandioca e Fruticultura A cultura do limão-taiti Coleção Plantar
15 10.798 Agrobiologia Armadilha PET para captura de adultos de moscas-das-frutas em pomares comerciais e domésticos Circular Técnica
16 10.766 Rondônia Manual prático para formulação de ração para vacas leiteiras Série Documentos
17 10.755 Florestas Propagação vegetativa Artigo em anais de congresso
18 10.418 Milho e Sorgo Variação geográfica do tamanho dos módulos fiscais no Brasil Série Documentos
19 9.852 Semiárido Clima e água de chuva no Semi-Árido Capítulo em livro técnico-científico
20 9.318 Pecuária Sudeste Dimensionamento de piquetes para bovinos leiteiros, em sistemas de pastejo rotacionado Comunicado Técnico
21 8.699 Semiárido Disponibilidade de água e a gestão dos recursos hídricos Capítulo em livro técnico-científico
22 8.599 Milho e Sorgo Manejo da cultura do milheto Circular Técnica
23 8.540 Agropecuária Oeste Fungos em sementes de soja: detecção e importância Série Documentos
24 8.386 Suínos e Aves Medição da vazão em rios pelo método do flutuador Comunicado Técnico
25 8.255 Uva e Vinho Suco de uva Coleção Agroindústria Familiar
26 8.213 Informação Agropecuária Como produzir melancia Coleção ABC Agricultura Familiar
27 8.209 Gado de Leite Silagens: oportunidades e pontos críticos Comunicado Técnico
28 8.194 Amazônia Oriental Manual de extração de DNA Série Documentos
29 7.762 Semiárido Potencial agrícola do solo para o cultivo da melancia Artigo em anais de congresso
30 7.615 Meio Ambiente Biocontrole de doenças de plantas: uso e perspectivas Livros científicos
31 7.550 Agroindústria de Alimentos Avaliação do efeito da extração e da microfiltração do açaí sobre sua composição e atividade antioxidante Teses/dissertações
32 7.478 Agroindústria Tropical Queijo de coalho Coleção Agroindústria familiar
33 7.372 Cerrados Agricultura e qualidade da agua: contaminacao da agua por nitrato Série Documentos
34 7.357 Florestas Manual de orientação e uso do GPS de navegação (Garmin 76MAP CSX) Série Documentos
35 7.324 Hortaliças Como plantar hortaliças Coleção ABC Agricultura Familiar
36 7.321 Recursos Genéticos e Biotecnologia Procedimento gerencial de tratamento de não conformidades Série Documentos
37 7.297 Arroz e Feijão Treinamento em boas práticas para manipuladores de alimentos Série Documentos
38 7.280 Semiárido Áreas degradadas: métodos de recuperação no semi-árido brasileiro Artigo em anais de congresso
39 7.215 Suínos e Aves Cama de aviario: materiais, reutilizacao, uso como alimento e fertilizante Circular Técnica
40 7.212 Semiárido Utilização da uréia na alimentação de ruminantes no semi-árido Artigo em anais de congresso
41 7.089 Meio Ambiente Produtos comerciais à base de agentes de biocontrole de doenças de plantas Série Documentos
42 7.074 Suínos e Aves Estimativa da quantidade de racao necessaria para producao de um suino com 100 kg de peso vivo Comunicado Técnico
43 7.055 Algodão Biossíntese e degradação de Lipídios, Carboidratos e Proteínas em oleaginosas Série Documentos
44 7.033 Milho e Sorgo Determinação da densidade de solos e de horizontes cascalhentos Comunicado Técnico
45 6.924 Recursos Genéticos e Biotecnologia Procedimento gerencial de elaboração e controle de documentos Série Documentos
46 6.822 Amazônia Ocidental Sintomas de deficiências nutricionais em citros Circular Técnica
47 6.707 Agroindústria Tropical Chemical composition of Eucalyptus spp essential oils and their insecticidal effects on Lutzomyia longipalpis Artigo em periódico
48 6.670 Suínos e Aves Técnicas em biologia molecular Série Documentos
49 6.609 Informação Agropecuária Queijo mussarela Coleção ABC Agricultura Familiar
50 6.505 Milho e Sorgo Produção dos hormônios do crescimento e pró-insulina humana em plantas transgênicas de milho Artigo em anais de congresso

O valor da informação e da gestão de risco

Os resultados de desempenho da pesquisa e da agropecuária brasileiras evidenciados nesta edição do Balanço Social somente são possíveis se dois processos básicos forem bem administrados pela Embrapa: segurança da informação e gestão de risco.

A preocupação com a segurança da informação se justifica porque, na sociedade atual, a informação assume cada vez mais importância, a ponto de se tornar o bem de maior valor para a maioria das organizações. Essa mesma percepção também pode ser aplicada no âmbito da gestão pública e, especificamente da Embrapa: Informação é a base para o devenvolvimento dos processos institucionais da Empresa que levarão, em última instância, à segurança alimentar e bem-estar de todos os brasileiros.

Isso demanda a necessidade de protegê-la de possíveis riscos e vulnerabilidades, mantendo- -a confiável, precisa e disponível. Embora a Embrapa contemple tal preocupação ao longo de sua história em diversos documentos oficiais (planos diretores, políticas setoriais etc.), a Empresa estabeleceu uma política própria de segurança da informação em 2014 para garantir a proteção das informações corporativas, assegurando que nenhuma informação seja alterada ou utilizada indevidamente. Para isso, passou a contar com a parceria da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), de forma a atender até mesmo a orientações específicas sobre o assunto por parte do Estado brasileiro.

Outro processo importante capaz de impactar sobremaneira tanto a pesquisa agropecuária como a agricultura brasileira é a gestão de risco corporativos. A Embrapa, como qualquer outra empresa, está sujeita a riscos de diversos tipos e origens, enquanto executa suas atividades e cumpre sua missão. Os fatores que dão origem a eles estão presentes no ambiente interno e externo, podendo impactar os objetivos da Empresa positiva ou negativamente. Para lidar com isso, a gestão de riscos corporativos incorpora às tomadas de decisões a avaliação dos fatores de riscos da Embrapa, num processo que envolve a identificação, a avaliação e o tratamento dos riscos mais críticos, podendo envolver ações para evitá-los, ou minimizar o seu impacto.

Na perspectiva de atender às solicitações dos órgãos de controle e implantar efetivamente a gestão de riscos corporativos estão em curso na Embrapa, desde 2013, ações para divulgação de conceitos e introdução ao tema, metodologia para avaliação, além da publicação da política de gestão de riscos corporativos. Essas atividades contam com a colaboração de técnicos do Tribunal de Contas da União e da Controladoria- Geral da União, que vêm acompanhando sua implementação, uma vez que a Embrapa é uma das instituições-piloto dessa iniciativa.

O impacto das mudanças climáticas na agropecuária

Mudanças climáticas referem-se à variação do clima em escala mundial ou dos climas regionais da Terra ao longo do tempo relacionados à temperatura, precipitação, nebulosidade e diversos outros fenômenos climáticos. Essas alterações podem ser causadas por processos internos ao sistema Terra-atmosfera, por forças externas, tais como a variação da energia solar que chega à Terra, ou pelo resultado da atividade humana. As atividades agrícolas podem ser ao mesmo tempo vulneráveis à mudança glo bal do clima, como responsáveis por essa mudança ao contribuir para a emissão de gases de efeito estufa. A vulnerabilidade nesse setor inclui, entre outros, os problemas fitossanitários cujas medidas de prevenção e impactos já estão sendo estudadas em diversas frentes de pesquisa pela Embrapa.

Em 2015 a Secretaria de Gestão e Desenvolvimento Institucional (SGI), em parceria com a Embrapa Informática Agropecuária, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Escola de Floresta e Meio Ambiente da Universidade de Yale, concluiu uma série de estudos sobre o impacto das mudanças climáticas na agricultura brasileira. A partir de dados obtidos dos censos agropecuários (dados por microrregiões de 1975 a 2006 e uma amostra de cerca de 266 mil estabelecimentos rurais de 1995/96 e 2006), associados às estimativas das variações médias de temperatura e precipitação das estações do ano, entre outras variáveis de controle, foi possível avaliar a vulnerabilidade da produção agropecuária do Brasil diante de diferentes cenários climáticos.

Os estudos em propriedades agrícolas demonstraram que os impactos sobre os preços da terra serão desiguais no território nacional, pois serão influenciados pelas mudanças do regime de chuvas. No pior cenário climático previsto para o ano de 2040, as regiões mais atingidas por esse fenômeno serão Norte, Nordeste e boa parte do Centro-Oeste. Por sua vez, a região Sul está entre as que deverão se beneficiar dessas transformações. Outro item analisado foi a influência das mudanças climáticas na escolha entre as atividades de agricultura e de pecuária, alterando o uso da terra como forma de adaptação, ao longo das estações do ano.

Os resultados obtidos nessa parceria com a Universidade de Yale, a serem divulgados em detalhes ao longo do ano, estão alinhados àqueles obtidos em outros estudos desenvolvidos pela Embrapa Informática Agropecuária, usando os mais diversos modelos, como “crop models”.

Parte das informações deste capítulo foram retiradas de Penteado Filho et al. (2015).

Referências:

GARFIELD, E. The agony and the ecstasy: the history and meaning of the journal impact factor. In: INTERNATIONAL CONGRESS ON PEER REVIEW AND BIBLIOMEDICAL PUBLICATION, 5., 2005, Chicago. Proceedings… Chicago: Jama; BMJ, 2005. Disponível em: http://garfield.library.upenn.edu/papers/jifchicago2005.pdf . Acesso em: 19 fev. 2009.

PENTEADO FILHO, Roberto de Camargo; FONSECA JÚNIOR, Wilson Corrêa da; AVILA, Antonio Flavio Dias. Perfil da Produção Científica da Embrapa entre 2004 e 2013: Oportunidades e Desafios. Documentos (Embrapa SGE) (1679-4680), v. 17, 2015, no prelo.


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