Balanço Social 2017
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A contribuição da Embrapa no processo de inovação

A área de ciência e tecnologia (C&T), enquanto parte do processo de inovação, se fundamenta no pressuposto de que suas atividades são cruciais para o desenvolvimento socioeconômico de um país. Essas atividades são geralmente induzidas por políticas públicas, exercidas, em grande parte, por instituições como universidades e outras organizações científicas, por intermédio de seus planos diretores e programas de pesquisa, e executadas por suas diversas unidades (faculdades e centros de pesquisa).

O reconhecimento dessa importância da C&T acompanha a própria história do termo "inovação", que passou da condição de "qualquer novidade implantada pelas organizações (equipamentos, produtos, serviços, processos, políticas, projetos)" para a de "processo gradual de conversão de novas ideias em novas práticas e tecnologias mais apropriadas à existência humana". Em outras palavras, o conceito de "inovação" evoluiu da condição de "processo de produção de novos bens e serviços" para a de "geração de impactos, ao induzir mudanças de médio e longo prazos no mercado e na sociedade".

No âmbito das instituições públicas de pesquisa, o processo de inovação é gerenciado segundo o modelo de cadeia de valor, mais recentemente denominado na Embrapa "macroprocesso de inovação". Ele contempla as etapas de inteligência e planejamento, pesquisa, desenvolvimento e validação de novos produtos e tecnologias (outputs), tais como raças de animais e cultivares de plantas mais produtivas, sistemas de produção mais eficazes, aplicativos de gerenciamento de propriedades, novas práticas agropecuárias e agroindustriais, entre outros, bem como a etapa subsequente, de transferência dos conhecimentos gerados, envolvendo o uso de publicações (artigos científicos e publicações técnicas) e eventos típicos de transferência de tecnologia (cursos, dias de campo, unidades de referência tecnológica, etc.). Outra etapa muito importante desse macroprocesso é o monitoramento da adoção dos produtos e conhecimentos gerados (outcomes) por diversos segmentos de público (comunidade científica, técnicos de extensão rural, formuladores de políticas públicas e produtores rurais). A etapa final desse macroprocesso é a avaliação dos impactos decorrentes da adoção de inovações, que mede os diversos tipos de impacto junto aos adotantes, tais como o aumento da renda no campo, a geração de empregos adicionais ao longo das cadeias produtivas, os efeitos nos indicadores ambientais (uso de agroquímicos, qualidade da água, etc.), bem como as melhorias na qualidade de vida e no consumo de alimentos mais nutritivos, dentre tantos outros impactos sociais. Anualmente esta avaliação dos impactos resultantes de inovações da Embrapa é publicada neste Balanço Social.

No âmbito dos produtos e serviços, ou seja, dos outputs, a Embrapa contribuiu em 2017 com centenas de resultados apresentados na Tabela 1. Os números de outputs (919) evidenciam uma produção muito expressiva e diversificada, seguindo a classificação da Empresa. Cabe destacar que essa produção envolve um total de 28 tipos de resultados. Aqui são destacados apenas 11 deles, aqueles considerados mais voltados ao setor produtivo.

Tabela 1. Resultados alcançados pela Embrapa em 2016 e 2017.

Tipo de Resultado 2016 2017
Cultivar / linhagem 111 61
Enriquecimento e/ou manutenção de Coleção Biológica 305 303
Estirpe/Raça/Tipo 34 17
Insumo agroindustrial 9 18
Insumo agropecuário 21 27
Produto Pré-Tecnológico 92 115
Produto agroindustrial 20 14
Protótipo de máquinas, equipamentos e implementos 16 12
Prática/processo agroindustrial 47 56
Prática/processo agropecuário 211 266
Softwares para Clientes Externos 10 30
Total Geral 876 919

Fonte: Integro (2018).

A geração de produtos e conhecimentos representa apenas uma etapa do processo de inovação. No entanto, mesmo nesse âmbito, alguns resultados chegam a ser surpreendentes e significativos, como é o caso das informações geradas a partir da análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR), destaques nesta edição do Balanço Social.

Pesquisa revela um novo olhar sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira

Até há alguns anos, era impossível responder, de forma precisa e segura, em que medida a agricultura brasileira vinha sendo realizada em bases sustentáveis. Por exemplo, qual a área total de vegetação preservada dos imóveis rurais? Quanto da área agrícola no Brasil está destinado efetivamente à preservação ambiental? Seria possível quantificar esse fenômeno em cada imóvel rural do País?

As respostas a essas perguntas sempre implicaram o desafio enorme de conhecer, em detalhes, o uso das terras no interior de cerca de 5 milhões de imóveis rurais em todo o País, visando a ajustar políticas públicas e privadas de preservação e desenvolvimento rural. Dados nesse sentido costumam ser obtidos a partir do censo realizado a cada 10 anos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tratam-se, no entanto, de informações declaratórias, registradas em questionário, sem base cartográfica precisa. Além disso, devido à dinâmica espacial, temporal e tecnológica da agricultura brasileira, parte desses dados fica rapidamente desatualizada.

A resolução do problema

A possibilidade do conhecimento atualizado e organizado das áreas efetivamente preservadas pelos produtores nos imóveis rurais teve um avanço significativo com o advento do CAR que é um registro público eletrônico de âmbito nacional obrigatório para todos os imóveis rurais brasileiros. Ele integra diversas informações relativas às áreas das propriedades como dados do imóvel: endereço, nome do proprietário; e informações cartográficas, tais como perímetro externo, construções, áreas exploradas e não exploradas, áreas de preservação ambiental e reserva legal, entre outras. Até o início de janeiro de 2017, cerca de 4 milhões de imóveis rurais cadastrados no CAR, totalizando 400 milhões de hectares, estavam inseridos no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar).


Figura 1. Exemplo de limites dos imóveis rurais em São Paulo cadastrados nos Sicar.
Fonte: Embrapa Territorial (2017).

A análise desse cadastro pela Embrapa Territorial trouxe respostas para aquelas diversas perguntas, permitindo, assim, promover um novo ciclo nas políticas públicas ambientais voltadas ao meio rural e fazer surgir uma nova narrativa no Brasil e no exterior sobre o papel dos agricultores brasileiros na preservação ambiental. Para isso, foi necessário integrar ao Sistema de Inteligência Territorial Estratégica daquele centro, todos os dados geocodificados disponíveis no Sicar. Isto ocorreu em janeiro de 2017. Com esse enorme banco de dados numéricos e cartográficos, tornou-se possível qualificar e quantificar as áreas preservadas nos imóveis rurais.

Principais resultados cartográficos

O trabalho realizado pela Embrapa Territorial permitiu mapear todas as áreas dedicadas pelos produtores rurais à preservação da vegetação nativa, além de qualificar esse universo de Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e vegetação excedente, incluindo os ambientes naturais e artificiais associados a nascentes, córregos, rios, lagos e outros reservatórios de água. Embora os dados dos imóveis rurais de Mato Grosso do Sul e Espírito Santo ainda não estivessem disponíveis, os resultados surpreenderam pela baixa segmentação e pelo padrão de conexão territorial entre as diversas categorias de áreas preservadas. Eles revelaram que, ao longo das redes hidrográficas, desde as nascentes até os principais eixos hidrográficos ou rios de maior porte, os produtores rurais dedicam área significativa de seus imóveis à proteção dos recursos hídricos superficiais.

Outros padrões de conexão também foram observados, como, por exemplo, a ampliação das áreas preservadas pelos agricultores nas proximidades e na fronteira com unidades de conservação e, principalmente, com terras indígenas (em tamanho e em número), sobretudo no Centro-Oeste brasileiro. Esse mapeamento foi realizado em diversas escalas espaciais: municípios, microrregiões, estados, até o País. Exemplos da coerência desse mapeamento, em diferentes escalas cartográficas, podem ser observados na Figura 2.


Figura 2. Áreas dedicadas pela agricultura à preservação da vegetação nativa.
Fonte: Embrapa Territorial (2017).

A Figura 3 apresenta um panorama geral sobre essas áreas no Brasil.


Figura 3. Área mapeada de vegetação nativa preservada nos imóveis rurais do Sicar*.
* Não contempla dados do Estado do Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.
Fonte: Embrapa Territorial (2017).

Um novo olhar sobre a agricultura brasileira

Os resultados numéricos mostram participação muito significativa da agricultura brasileira na preservação do meio ambiente. Em janeiro de 2017, a partir dos dados no Sicar registrados por cerca de 4 milhões de produtores, um total de 176.806.937 ha estava destinado à preservação e à manutenção da vegetação nativa nos imóveis rurais. Isso equivale a 20,5% do território nacional. Com a integração dos dados de Mato Grosso do Sul e Espírito Santo e dos cadastros rurais ainda remanescentes, talvez esse número final ultrapasse 23% do Brasil. O total de áreas destinadas à preservação da vegetação nativa representa 47,7% da área total dos imóveis cadastrados. A Figura 4 ilustra a distribuição territorial das diferentes porcentagens de áreas destinadas à preservação da vegetação nativa nos imóveis rurais. Como pode ser observado, os valores diferem bastante entre os estados em função das exigências do Código Florestal.


Figura 4. Distribuição por Estados das áreas dos imóveis rurais dedicadas à preservação da vegetação nativa (em %).
Fonte: Embrapa Territorial (2017).

A conclusão geral de todo esse levantamento contraria o senso comum: os produtores rurais destinam à preservação da vegetação nativa uma parcela superior à exigida pelo Código Florestal nos imóveis, que é de 20% em grande parte das regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. A máxima é de até 80% no bioma Amazônia. Dados similares foram divulgados recentemente em estudo realizado pela NASA. O conhecimento desse perfil de preservação das propriedades brasileiras deverá, daqui em diante, contribuir para sua gestão por meio do planejamento de longo prazo e para a definição de um escopo de regras e processos, tais como a intervenção em áreas de preservação permanente.

Tais intervenções tornam-se necessárias quando, por exemplo, a evolução de sua vegetação é restringida pela proliferação de plantas invasoras, pela invasão de populações não manejadas de espécies exóticas ou nativas, ou mesmo quando atingida por um incêndio. No futuro, formas de uso sustentável dessas unidades territoriais poderão ser promovidas e autorizadas. A análise do CAR pela Embrapa trouxe a base técnica para a formulação dessas iniciativas legislativas e de políticas públicas nos estados e na Federação.

Aos 10 anos, Rede AgroNano mostra resultados

O envolvimento da Embrapa com a Nanotecnologia, área do conhecimento que manipula a matéria em escala atômica e molecular, representa a oportunidade de revolucionar os sistemas agrícolas e alimentares por meio de inovações transformadoras, com impactos nas áreas de segurança alimentar, qualidade e rastreabilidade de produtos, melhoria nos sistemas de distribuição inteligentes para nutrientes, defensivos e medicamentos de uso animal e embalagens com maior desempenho, para citar apenas alguns exemplos.

Com a criação da Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio (Rede AgroNano), há 10 anos, quando a Embrapa Instrumentação começou as pesquisas nessa área, em São Carlos, SP, o que parecia ficção científica, tornou-se realidade. Atualmente trabalham em conjunto 39 universidades do Brasil, 23 centros de pesquisa da Embrapa e 150 pesquisadores (80 de outras instituições e 70 da Embrapa) - esta foi uma decisão estratégica, de não concentrar os pesquisadores em apenas um local e criar núcleos de excelência.

Os resultados dessa iniciativa demonstram ser possível percorrer boa parte do processo de inovação em pouco tempo, envolvendo desde a preparação e consolidação de equipes de pesquisa, a produção de artigos científicos e o desenvolvimento de soluções tecnológicas testadas em laboratório, até chegar aos produtos finais que começam a fazer parte do cotidiano dos consumidores brasileiros.

Os números decorrentes desse processo confirmam o sucesso da iniciativa. Os pesquisadores da rede contribuíram com 54 projetos de pesquisa e 518 trabalhos científicos que obtiveram 6.300 citações científicas, 8 depósitos de patentes. Participam formalmente em 24 programas de pós-graduação de 16 universidades de 7 estados e do Distrito Federal, nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, o que resulta, em cerca de 40 alunos de mestrado e doutorado orientados por ano, além de 25 parcerias internacionais com instituições conceituadas de todos os continentes.

Foto: Paloma Bazan
O sabor do futuro: Banho à base de nanotecnologia aumenta o tempo de prateleira dos frutos.
Foto: Paloma Bazan.

Esses números comprovam que, no âmbito do processo de inovação, a Rede AgroNano vem cumprindo rigorosamente sua missão com a entrega de três tipos de resultado inerentes à pesquisa científica: novos conhecimentos, recursos humanos altamente qualificados e novas tecnologias, tais como medicamentos para tratamentos de doenças em animais e filmes comestíveis à base de frutas e hortaliças.

Todo esse know-how obtido ao longo de anos tem propiciado à Embrapa e à Rede AgroNano a participação em fóruns estratégicos sobre o tema, tais como o Comitê Interministerial de Nanotecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o grupo brasileiro do Consórcio Europeu para Regulação em Nanomateriais (NANoREG Brasil).

Tecnologias ajudam no cumprimento de metas internacionais sobre mudanças climáticas

No macroprocesso de inovação, quando se trata de monitorar e avaliar os impactos gerados pela pesquisa agropecuária, os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil com a adoção da fixação biológica do nitrogênio (FBN) para a redução das emissões dos gases de efeito estufa (GEEs) são um caso exemplar. A FNB é um processo realizado por alguns grupos de microrganismos, tais como bactérias, que, ao serem inoculados em plantas, infectam suas raízes e formam nódulos, levando-as a incorporar o nitrogênio (N) do ar, dispensando seu uso na forma de fertilizante químico. A adoção desse processo possui duas vantagens principais: gera economia no consumo de fertilizantes à base desse elemento químico e promove a redução de emissão de GEEs.

No Brasil, o melhor exemplo de contribuição da FNB é representado pela cultura da soja. A tecnologia do uso de inoculantes desenvolvida pela Embrapa, adotada a partir de 1981, garantiu a competitividade para essa commodity quando comparada com a produzida por outros países. Para se ter uma ideia, o custo médio por hectare de soja com o uso de fertilizantes nitrogenados, considerando a produção média de 49 sacos por hectare, é de R$ 906, enquanto o custo da inoculação é de apenas R$ 8. Portanto, o impacto dessa tecnologia para a balança comercial do País tem sido enorme e vem sendo explicitado anualmente no Balanço Social.

Como se não bastasse essa geração de economia, existe ainda o fator ambiental, pois a FBN também representa a principal via de incorporação do nitrogênio à biosfera. Depois da fotossíntese, esse é o processo biológico mais importante para as plantas e fundamental para a vida na Terra. Daí a necessidade de seu uso na agricultura como forma de reduzir as emissões de GEEs. Em 2009, durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas realizada em Copenhague, também conhecida como COP15, o Brasil considerou ampliar o uso da FBN na agricultura em 5,5 milhões de hectares, o que levaria a uma redução de emissão equivalente a 10 milhões de toneladas anuais de gás carbônico (CO2) equivalente em 2020.

Embora essa meta esteja voltada apenas à diminuição do consumo de fertilizante à base de nitrogênio (N-fertilizante), diretamente com o cultivo de espécies fixadoras de N2, outras contribuições poderiam ser adicionadas dentro do Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), como o uso da FBN na recuperação de pastagens degradadas, sistema de plantio direto (SPD) e Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Projetos conduzidos pela Embrapa têm contribuído substancialmente para que o Brasil ocupe hoje a liderança mundial em pesquisa com FBN e que, com apoio financeiro, poderá não só cumprir, mas superar em larga escala os compromissos internacionais já assumidos. Os dados mostrados na Figura 5 indicam que, apenas entre 2010 e 2017, quando a Embrapa passou a avaliar as emissões evitadas de carbono, a adoção de inoculantes para fixação biológica de nitrogênio em soja contribuiu para a evitar a emissão de mais de 30 milhões toneladas de CO2 equivalentes pela não utilização de adubação nitrogenada.


Figura 5. Adoção da fixação biológica em soja e redução de emissões de carbono em toneladas de carbono equivalentes. Período 2010/2017.
Fonte: Embrapa Meio Ambiente (2018).

Os dados mostrados na Figura 5 indicam que, a partir de 2010/2011, a primeira safra em que a Embrapa passou a estimar as emissões evitadas de carbono, até 2016/17, a adoção de inoculantes para fixação biológica de nitrogênio em soja contribuiu para a evitar a emissão de mais de 30 milhões toneladas de CO2 equivalentes pela não utilização de adubação nitrogenada.

Por outro lado, a Figura 6 mostra a redução nas emissões de carbono obtida no mesmo período, devida à adoção do sistema integrado de produção lavoura-pecuária-floresta (ILPF), cuja área de adoção no Brasil é de 11,5 milhões de hectares, foi estimada em 35,1 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. Portanto, temos aí mais duas evidências do efetivo comprometimento da Embrapa com o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira.


Figura 6. Adoção de sistemas de Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) no Brasil e estimação de mitigação de carbono em toneladas equivalentes (t CO2 eq.).
Fonte: Embrapa Meio Ambiente (2018).

Estudos sobre pesca promovem equilíbrio ambiental e social no Pantanal

Enquanto a FBN é uma tecnologia direcionada aos sistemas produtivos da agricultura, com impactos econômicos e ambientais no País, mas com decorrências em âmbito global, o Sistema de Controle de Pesca da Bacia do Alto Rio Paraguai (SCPesca) é uma tecnologia com vocação regional, que pode ser adaptada a diversos biomas. Sua principal finalidade é a coleta e análise de informações sobre a utilização dos recursos pesqueiros no estado de Mato Grosso do Sul. Espécies como pintado, cachara, dourado, pacu, entre outras, são recursos naturais de expressão econômica e social considerável para a população pantaneira até os dias de hoje.

O desenvolvimento do SCPesca é decorrência de uma série de 30 estudos em várias áreas do conhecimento realizada desde a década de 1980, que chegou, inclusive, a possibilitar a definição dos parâmetros de medidas, petrechos de pesca e períodos de captura para espécies migratórias da Bacia do Alto Paraguai. O estabelecimento desses parâmetros foi fundamental para a regulamentação do seguro-defeso, em 2003, e fortalecimento do monitoramento integrado da pesca com o Instituto de Meio Ambiente (Imasul) e Polícia Militar Ambiental do Estado, por intermédio do SCPesca.

A política de seguro-desemprego, também conhecida como seguro-defeso, teve por objetivo fazer com que a medida de defeso fosse respeitada e proporcionasse benefícios ambientais e ecológicos para a proteção de espécies específicas durante os períodos de reprodução e chegada da nova geração de peixes na área de pesca. O seguro é uma assistência financeira temporária, concedida ao pescador profissional, que exerce a atividade ininterruptamente de forma artesanal, individualmente ou em regime de economia familiar. O valor é de um salário-mínimo mensal durante o período de inatividade pesqueira.

Dados iniciais da análise em curso dos impactos da contribuição da Embrapa Pantanal para a política pública de defeso indicam melhor equidade social no acesso das classes de pescadores aos recursos naturais, além da redução da pressão da pesca sobre as espécies migratórias. Os efeitos dessa iniciativa foram sendo monitorados anualmente pelo SCPesca, que provocou um olhar específico e crítico sobre o ambiente e sobre aqueles que utilizam seus recursos, a partir dos dados por ele gerados. Conforme pode ser observado na Figura 7, que registra a captura das 11 espécies de peixes monitoradas pelo SCPesca, é possível notar que o número de capturas (em toneladas) reduziu de 934 toneladas em 2000 para 306 toneladas em 2014 (67%). Isso comprova que essas espécies estão sendo menos pescadas. Sob a perspectiva social, a redução de captura por parte dos pescadores profissionais foi de 55% e dos pescadores esportivos de 72%, num universo de mais de 5 mil pescadores no Pantanal. Esse controle sistemático e de longo prazo promoveu, portanto, maior equilíbrio entre as classes de pescadores no uso dos recursos naturais.


Figura 7. Registro de captura de 11 espécies monitoradas na Bacia do Alto Paraguai entre 2000 e 2014.
Fonte: Embrapa Pantanal e Embrapa Secretaria de Desenvolvimento Institucional (2018).


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