Balanço Social 2018
Embrapa
Home
Balanço 2018
Baixar arquivo BS 2018
Ficha técnica
Destaques
Impactos
Adoção\uso
Base de Ações Sociais
Prêmios
Balanços anos anteriores
A Embrapa no Brasil
Criticas e Sugestões
SAC

A Embrapa e a produção da riqueza nacional

Um fato marcante na pesquisa agrícola mundial é que seu financiamento e execução pelo poder público é característica de todos os países que modernizaram sua agricultura – e assim permanece nos tempos atuais. Nesses países, convivem lado a lado a pesquisa pública e a da iniciativa privada. A pesquisa pública evolui lentamente em áreas de investimento de longo prazo e mais sujeitas a riscos e a incertezas, porém propicia maiores taxas de retorno. A pesquisa da iniciativa privada, por sua vez, predomina num ambiente de taxas de juros elevadas, com a decorrente pressão pela produção de resultados em curto prazo.

As organizações de pesquisa privada exigem mercados amplos para estabilizarem o lucro, por isso se organizam sob as mais diversas formas (oligopsônios, oligopólios, monopólios ou monopsônios) e operam em vários países para ampliarem as vendas dos resultados de pesquisa e facilitar a captação de crédito a taxas mais baixas. Evidentemente, se determinado produto é o carro-chefe nas vendas, prioridades de pesquisas que podem pôr a perder essa fonte de lucro dificilmente serão escolhidas. No campo da agricultura, as patentes não são permitidas para várias áreas, as quais não estarão entre as prioridades da pesquisa privada, a não ser que o governo pague os custos. Daí o importante papel da pesquisa pública.

No Brasil, a agricultura desempenha importante papel no abastecimento interno e nas exportações. Seu crescimento também se deve sobremaneira à ciência e tecnologia. E a exemplo de outros países que dominam a produção de alimentos no mundo, a presença do governo na grande empreitada de gerar conhecimentos, em associação com a iniciativa privada, é fundamental. Na condição de instituição governamental dedicada à pesquisa agropecuária, a Embrapa vem trilhando esse caminho há 46 anos e se dedica continuamente para se ajustar aos novos tempos, trazidos por leis recentes relacionadas ao trabalho em ciência, tecnologia e inovação.

Nesse contexto, para que os impactos da pesquisa agropecuária nas exportações e consumo, assim como em outras dimensões (social, ambiental, institucional), continuem sendo registrados em documentos importantes, tais como relatórios de gestão e balanços sociais, torna-se fundamental o investimento ininterrupto pelo Estado na capacitação de suas instituições de ciência e tecnologia (C&T), enfatizando áreas básicas, mas também voltadas à pesquisa aplicada. É ainda necessário promover e facilitar a interação dessas instituições com o setor privado, além de reafirmar a liderança de tais organizações e da Embrapa em especial.

Outro aspecto que distingue a pesquisa pública é a necessidade de garantir e promover sua transparência para a sociedade, que investe recursos disputadíssimos por outros setores nas suas atividades. É importante que suas instituições prestem contas de cada real investido, demonstrando qual benefício a população recebeu em troca. Quanto a isso, a Embrapa desenvolveu vários procedimentos: artigos em revistas especializadas, entrevistas em rádios e tevês, criação e interação em mídias sociais, contatos diretos com autoridades e visitas às Unidades de Pesquisa.

Em termos específicos, esse esforço culmina todos os anos com a publicação do seu Balanço Social. Esta 22º edição utiliza metodologia consolidada e consagrada, mas em constante aperfeiçoamento pela própria Empresa. Essa iniciativa, alinhada à literatura mundial, contém inovações metodológicas marcantes – tais como a adoção do enfoque multidimensional e periodicidade anual –, tornando a Embrapa referência nacional e internacional na análise da efetividade da pesquisa pública.

Como poderá ser verificado nesta edição, cada real investido pelo Estado na Embrapa, em 2018, trouxe de volta mais de 12 reais (Relação lucro social x Receita operacional líquida). Essa alta rentabilidade é também demonstrada por meio da taxa interna de retorno (TIR), indicador mais adotado na literatura internacional. Levando-se em conta todos os investimentos feitos pela Embrapa desde a geração da amostra de 165 tecnologias constante do Balanço Social e os retornos sociais por ela gerados, a TIR estimada foi de 37,6%. Essa taxa é comparável a de estudos similares no Brasil e no exterior, que, de maneira geral, atestam que os investimentos públicos em pesquisa agropecuária têm sido compensadores.

Esta edição do Balanço Social vem demonstrar um enorme esforço da Empresa em apresentar sua efetividade, ampliando em 30% a amostra de tecnologias avaliadas sob o ponto de vista de impacto. Foi realizado também um trabalho adicional para apresentar aproximadamente duas centenas de soluções tecnológicas de adoção consolidada (outcomes). Além dessas duas iniciativas, a análise multidimensional de impactos foi enriquecida com duas novas dimensões: a dimensão de impacto institucional e a de impacto em políticas públicas

Soma-se a esse esforço a relevante contribuição dos Centros de Pesquisa na produção científica global da Embrapa, que a coloca entre as dez mais produtivas instituições do País – com a publicação de 16.493 artigos entre 2003 e 2017 –, assim como no desenvolvimento de 3.389 resultados de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em 2018. Destacam-se ainda casos de sucesso, como o projeto de transferência de tecnologias de café para as etnias indígenas Tupari e Aruá, que as tornaram referência na produção de cafés especiais, o manejo de solos para reduzir quebra de safras por veranicos e a Caravana Embrapa para controlar a praga exótica Helicoverpa armigera, que vinha atacando diversas culturas no País. Podem ser citados também a forrageira tropical Paiguás, o grão-de-bico BRS Aleppo, o aplicativo Roda da Reprodução e a cultivar de arroz fino BRS Pampeira.

Todas essas contribuições da Embrapa correspondem a uma amostra do seu trabalho na produção de conhecimentos e desenvolvimento de tecnologias, bem como na subsequente tarefa de levar esses produtos aos setores produtivos nos mais distantes rincões do País, para serem por eles incorporados e gerarem impactos. Essa dedicação da Embrapa, no final das contas, não beneficia apenas os produtores rurais, mas toda a cadeia produtiva e, em especial, os consumidores, localizados, em sua grande maioria, no meio urbano. Nessa imensa roda viva que envolve cientistas, administradores, produtores e consumidores, entre outros, cabe destacar, com certeza, o esforço e a dedicação de todos os empregados da Embrapa, cuja efetividade é evidenciada neste documento, em suas múltiplas dimensões.


Diretoria-Executiva
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

Secretaria de Desenvolvimento Institucional
Secretaria Geral da Embrapa

Parque Estação Biológica - PqEB s/n°
Brasília, DF - Brasil - CEP 70770-901
Fone: (61) 3448-4433