Balanço Social Embrapa
Embrapa
Home
Destaques
Impactos
Maior Produtividade
Redução de Custos
Agregação de Valor
Expansão da Produção
Cultivares
Sociedade e Meio Ambiente
Geração de Empregos
Base de Ações Sociais
Balanço 2009
Prêmios
Endereços Embrapa
SAC

Uma metodologia pioneira para calcular impactos

Um dos principais problemas das instituições de pesquisa, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, é demonstrar os impactos dos seus resultados. Mostrar à sociedade que nela aplica recursos advindos de impostos que eles estão sendo bem utilizados e, mais do que isso, que vale a pena investir em atividades de pesquisa, cujos resultados aparecem apenas no longo prazo.

O Balanço Social da Embrapa demonstra a contribuição da Embrapa e seus parceiros para a sociedade brasileira e a importância estratégica do investimento em Ciência e Tecnologia para que o País tenha um setor agropecuário e florestal competitivo e sustentável e, paralelamente, um processo de desenvolvimento mais justo e equilibrado. As estimativas de impacto econômico tem base no método do excedente econômico, o mais utilizado na literatura mundial para avaliar os retornos dos investimentos em pesquisa agropecuária.

O Lucro Social

O Lucro Social da Embrapa em 2009 foi de R$ 18.840.701.859,76. O conceito de Lucro Social envolve recursos de três fontes:

1 - Indicadores Laborais calculados segundo a metodologia proposta pelo Ibase para os recursos investidos em: alimentação, encargos sociais compulsórios, previdência privada, saúde, segurança e medicina do trabalho, educação, creches/auxílio creche e outros benefícios. Esses recursos representaram 58,86% da Folha de Pagamento Bruta ou 25,43% da Receita Operacional Líquida. Em 2009, esse número chegou a R$ 461 milhões.

2 - Os Tributos pagos, excluídos os encargos sociais. Em 2009, esses impostos foram R$ 3,6 milhões.

3 - Os Impactos das Tecnologias Desenvolvidas e Transferidas à Sociedade. Em 2009, isso representou R$ 18.375.220.087,91 bilhões, resultado que compensa com folga todos os investimentos em pesquisa realizados na Empresa.

Como são calculados os impactos

Ao longo dos seus 37 anos, a Embrapa produziu dezenas de milhares de tecnologias. Em 2009 foi selecionada uma amostra de 104 destas tecnologias e cerca de 140 cultivares Embrapa e Parceiros desenvolvidas e transferidas à sociedade cujos impactos econômicos, sociais e ambientais no decorrer do ano de 2009 foram avaliados.

Um documento de 131 páginas com a metodologia completa de avaliação está disponível aqui.

Impactos econômicos

Os impactos econômicos da pesquisa da Embrapa são estimados de duas formas: Na primeira, os benefícios econômicos são estimados a partir do método do excedente econômico. A metodologia permite que se estime o adicional de renda (incremento de produtividade, agregação de valor e expansão da produção em novas áreas ou áreas anteriormente consideradas impróprias devido à carência de tecnologias adequadas) ou de redução de custos (menor uso de insumos), quando se comparam duas situações: sem a adoção da tecnologia e com a tecnologia incorporada ao sistema de produção do produtor ou da agroindústria. Além disso, estima-se a participação da Embrapa na geração de benefícios levando-se em conta a participação de outras instituições de pesquisa e da transferência de tecnologia. Considera-se apenas a participação da Embrapa na geração das tecnologias sendo excluídos os ganhos devido à atuação de parceiros. Os dados são estimados por meio de visitas de campo, contatos com técnicos da extensão rural (pública ou privada), pesquisadores que desenvolveram as tecnologias e/ou técnicos da própria Empresa que atuam na área de transferência de tecnologia.

No segundo caso, os impactos econômicos gerados por cultivares Embrapa são estimados com base na participação destas no mercado brasileiro de sementes de algodão, arroz irrigado, arroz de sequeiro, feijão, milho, soja e trigo. Calcula-se os benefícios econômicos usando a produção total dos produtos acima referidos (dados da Companhia Nacional de Abastecimento, Conab), os seus preços (dados da Fundação Getúlio Vargas, FGV) e as diferenças de rendimento de ensaios nacionais em que se comparam as cultivares da Empresa e as usadas anteriormente.

Impactos sociais

Os impactos sociais das tecnologias são medidos em dois enfoques:

a) quantitativo; estima-se os impactos gerados no mercado de trabalho devido à adoção de tecnologias Embrapa e Parceiros, nos vários segmentos da cadeia produtiva. Considera-se apenas os empregos adicionais, ou seja, os novos postos de trabalho que não teriam sido criados caso os produtores estivessem adotando outras soluções tecnológicas.

b) qualitativo; utiliza-se o Sistema de Avaliação de Impacto Social da Inovação Tecnológica Agropecuária (Ambitec-Social) composto por quatro aspectos essenciais de avaliação - emprego; renda; nutrição e saúde; gestão e administração - que geram 14 indicadores da contribuição da inovação tecnológica agropecuária para o bem estar social, no âmbito de um estabelecimento rural.

Em emprego considera-se indicadores de: capacitação, oportunidade de emprego local qualificado, oferta de emprego, condição do trabalhador e qualidade do emprego. Em renda: geração de renda do estabelecimento, diversidade de fontes de renda e valor da propriedade. Em nutrição e saúde: saúde ambiental e pessoal, segurança e saúde ocupacional e segurança alimentar. Finalmente, em gestão e administração avalia-se a dedicação e o perfil do responsável, a condição de comercialização, a reciclagem de resíduos e o relacionamento institucional.

Os indicadores são construídos em matrizes de ponderação nas quais dados obtidos em campo, de acordo com o conhecimento do produtor/administrador do estabelecimento, são automaticamente transformados em índices de impacto expressos graficamente. Os resultados da avaliação permitem ao produtor examinar quais impactos da tecnologia podem estar desconformes com seus objetivos de bem-estar social; ao tomador de decisão indicar medidas de fomento ou de controle da adoção da tecnologia, segundo planos de desenvolvimento local sustentável. Os resultados proporcionam também uma unidade de medida objetiva de impacto, auxiliando na qualificação, seleção e transferência de tecnologias agropecuárias.

Veja um exemplo da planilha de impactos sociais da tecnologia Consórcio milho safrinha com braquiária:

 

Indicadores

Peso

Coeficiente Ponderado

1. Emprego

Capacitação

0,1

0,3

Oportunidade de emprego local qualificado

0,1

0,1

Oferta de emprego e condição do trabalhador

 

0,05

0

Qualidade do emprego

0,1

0,02

2. Renda

Geração de Renda do estabelecimento

0,05

0,2

Diversidade de fonte de renda

0,05

0

Valor da propriedade

0,05

0,05

3. Saúde

    Saúde ambiental e pessoal

0,05

0,06

    Segurança e saúde ocupacional

0,05

0

    Segurança alimentar

0,05

0,14

4. Gestão e administração

    Dedicação e perfil do responsável

0,1

0,13

    Condição de comercialização

0,1

0,03

    Reciclagem de resíduos

0,1

0

    Relacionamento institucional

0,05

0,03

Índice de Impacto Social

0,7


As avaliações de impactos sociais têm três fases: primeiramente, são colhidas informações sobre a área geográfica em que a tecnologia é adotada e sobre os usuários. Em seguida, aplicam-se os questionários em entrevistas individuais com os adotantes previamente selecionados. A terceira fase consiste na análise e interpretação do índice de impacto social. Na última fase também são indicadas alternativas que permitam minimizar impactos negativos e potencializar impactos positivos. Cada tecnologia é avaliada por, no mínimo, dez adotantes ou pessoas externas ao centro de pesquisa conhecedores dos resultados das tecnologias (extensionistas rurais, por exemplo).

Impactos ambientais

O interesse em avaliar os impactos ambientais da pesquisa da Embrapa teve início ainda em 1980. Nos anos 1990 foram realizados esforços para a elaboração de um método prático que pudesse ser usado para a avaliação ex-post das tecnologias geradas pela instituição e adotadas pelo setor produtivo agropecuário. Esta metodologia, denominada Sistema de Avaliação de Impacto Ambiental da Inovação Tecnológica Agropecuária (Ambitec-Agro), é utilizada pelos centros de pesquisa da Embrapa, desde 2001.

O método aborda os impactos da tecnologia segundo quatro aspectos ambientais: a) alcance; b) eficiência, uma medida do resultado esperado da tecnologia em relação à conservação de insumos e aos efeitos ambientais; c) potencial para promover a recuperação da qualidade ambiental; d) conservação, o efeito da tecnologia sobre os diferentes ecossistemas; e e) qualidade do produto. O impacto ambiental é avaliado segundo o efeito esperado da tecnologia sobre estes aspectos e os indicadores, conforme os dados técnicos do projeto de pesquisa e a ponderação do avaliador em planilha eletrônica que expressa os resultados em forma gráfica.

Existem planilhas eletrônicas específicas para a Agricultura, Agroindústria e Produção Animal. No caso da Agricultura (expressão de impactos tecnológicos por unidade de área), são considerados os aspectos Alcance, Eficiência, Conservação e Recuperação Ambiental, expressos por oito indicadores e 37 componentes; na Agroindústria (expressão por estabelecimento agroindustrial), Alcance, Eficiência, Conservação e Qualidade do Produto, organizados em oito indicadores e 36 componentes; e na Produção Animal (expressão por unidade animal), Alcance, Eficiência, Conservação Ambiental, Recuperação Ambiental e Qualidade do Produto, constituídos de 11 indicadores e 52 componentes.

Veja um exemplo da planilha de Impactos Ambientais da tecnologia Consórcio milho safrinha com braquiária:

Indicadores

Peso

Coeficiente Ponderado

1. Eficiência Tecnológica

     Uso de agroquímicos/ insumos químicos e/ou materiais

0,125

0,04

     Uso de energia

0,125

-0,01

     Uso de recursos naturais

0,125

0,00

2. Conservação Ambiental

     Atmosfera

0,125

0,10

     Qualidade do solo

0,125

0,88

     Qualidade da água

0,125

0,44

     Biodiversidade

0,125

0,00

    Geração de resíduos sólidos

X

X

3. Recuperação Ambiental

0,125

0,14

4. Qualidade do Produto

X

X

5. Bem - Estar e saúde do animal

X

X

6. Capital Social

X

X

Índice de Impacto Ambiental

1,58


As avaliações de impacto ambiental também são realizadas em três etapas: a primeira, o processo de levantamento e coleta de dados gerais sobre a tecnologia e sobre o segmento do agronegócio à qual ela se aplica, a definição da amostra, obtenção de dados sobre o alcance da tecnologia (abrangência e influência) e a delimitação da área geográfica e do universo de adotantes da tecnologia. A segunda etapa, é a aplicação de questionários em entrevistas individuais com dez adotantes selecionados. Os dados são inseridos nas planilhas eletrônicas obtendo-se os resultados quantitativos dos impactos e os índices parciais e agregado de impacto ambiental da tecnologia selecionada. A terceira etapa consiste na análise e interpretação desses índices e indicação de alternativas de manejo e de tecnologias que permitam minimizar os impactos negativos e potencializar os impactos positivos, contribuindo para o desenvolvimento local sustentável.

Índices positivos traduzem resultados ecologicamente desejáveis, sugerindo que tais inovações tecnológicas são recomendáveis para aplicação no campo. Em termos de magnitude, sendo relativamente baixos, evidencia um espaço para melhoria no âmbito dos produtores que estão adotando essas inovações. Também sinaliza a necessidade de mais esforço para que as tecnologias geradas no futuro estejam cada vez mais voltadas para a questão da sustentabilidade ambiental devendo, portanto, ter impactos sempre mais positivos.

Para saber detalhes sobre o impacto de uma tecnologia específica, procure diretamente o centro de pesquisa que lançou e fez a análise da tecnologia. Clique aqui para acessar os contatos da Embrapa.

A escala de avaliação dos impactos sociais e ambientais

A escala de avaliação dos sistemas Ambitec-Social e Ambitec-Agro tem dois estágios. O primeiro, mede o efeito da tecnologia na atividade sob as condições de manejo específicas e vai de +3 que corresponde a um grande aumento no componente analisado, 0 para componente inalterado e -3 para uma grande diminuição do componente. Os coeficientes de alteração do componente representam a variável explicativa do efeito da tecnologia, conforme o conhecimento do produtor adotante da situação particular de seu estabelecimento.

O próximo passo é determinar o espaço no qual ocorre o efeito social da inovação tecnológica. Se o efeito é pontual, restringindo-se ao recinto no qual está ocorrendo a alteração do componente, o escore do componente no primeiro estágio é multiplicado por 1. Se o efeito é local, sendo sentido externamente ao recinto porém confinado aos limites da unidade produtiva ou estabelecimento, o escore do componente no primeiro estágio é multiplicado por 2. Se o efeito é no entorno, sendo sentido além dos limites da unidade produtiva ou estabelecimento, o escore do componente no primeiro estágio é multiplicado por 5.

Por isso, a escala de avaliação dos impactos sociais e ambientais nos sistemas Ambitec-Social e Ambitec-Agro vai de +15 que corresponde a um grande aumento do componente ou aspecto com efeitos no entorno da propriedade ou estabelecimento a -15, uma grande diminuição do componente ou aspecto com efeitos no entorno da propriedade ou estabelecimento.




Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa
Assessoria de Comunicação Social
Secretaria de Gestão Estratégica

Parque Estação Biológica - PqEB s/n°.
Brasília, DF - Brasil - CEP 70770-901
Fone: (61) 3448-4433 - Fax: (61) 3347-1041