Balanço Social 2018
Embrapa
Home
Balanço 2018
Destaques
Impactos
Manejo\correção de solos
Fibras\oleaginosas\cereais
Produção animal
Frutos e castanhas
Hortaliças e leguminosas
Sistemas e serviços
Cultivares
Geração de empregos
Metodologia
Adoção\uso
Base de Ações Sociais
Prêmios
Balanços anos anteriores
A Embrapa no Brasil
Criticas e Sugestões
SAC

As inovadoras contribuições
da Embrapa para a sociedade

O ano de 2018 foi pródigo quanto à contribuição da Embrapa a diversos segmentos da sociedade. Diversas iniciativas desenvolvidas nesse período vêm corroborar essa afirmação. A instituição contribuiu em 2018 com 3.389 resultados de PD&I (outputs), conforme a Tabela 1. Em relação ao ano anterior, houve um aumento de 20%.

Tabela 1: Resultados de PD&I Alcançados pela Embrapa em 2017 e 2018

Tipo de Resultado de PD&I 2017 2018
Cultivar 203 342
Coleção Biológica  767 781
Estirpe/Raça/Tipo 49 56
Insumo agroindustrial/agropecuário 70 80
Metodologia Técnico Científica  580 609
Prática/processo agroindustrial 122 181
Prática/processo agropecuário 480 785
Produto agroindustrial 23 30
Produto Pré-Tecnológico 283 382
Máquinas, equipamentos e implementos  35 20
Softwares para Clientes Externos 92 123
Total Geral 2704 3389
Fonte: Integro - 2018

Além das soluções tecnológicas, outras iniciativas são contempladas, tais como a introdução de um novo indicador de avaliação de tecnologias, produtos e serviços denominado “solução tecnológica de adoção consolidada” (outcome), que possibilita demonstrar o uso/adoção desses resultados gerados pela instituição por diversos sistemas produtivos, bem como a adição de uma nova dimensão de impacto, o “impacto institucional”. A Embrapa também acaba de desenvolver e implementar uma metodologia inovadora de avaliação de impactos em políticas públicas, que deverá servir de referência não apenas para a própria Empresa, mas para diversas outras instituições.

Já na questão da transferência de tecnologia, uma iniciativa inovadora na disseminação de informações do processo de produção de leite, por intermédio do mundo digital, envolveu 92 empresas e instituições num esforço multidisciplinar. Além disso, a publicação do livro Mulheres dos cafés no Brasil faz justiça à contribuição do segmento feminino na produção de uma das commodities mais importantes do País.

As soluções tecnológicas de adoção consolidada (outcomes): um novo indicador para avaliar tecnologias, produtos e serviços

A pesquisa agropecuária desenvolvida pela Embrapa é orientada para a efetividade, ou seja, para a adoção de seus resultados pelos sistemas produtivos e para geração de impactos na sociedade, nas mais diversas dimensões (econômica, social, ambiental e institucional). No entanto, a avaliação do alcance desses impactos, ou seja, a identificação e mensuração dos efeitos da pesquisa na renda do produtor, na geração de empregos e no meio ambiente, entre outros, percorre um longo caminho. Nesse caminho, diferentes indicadores permitem demonstrar à sociedade evidências de que as soluções tecnológicas geradas pelos centros de pesquisa da Embrapa estão sendo utilizadas, isto é, estão sendo adotadas e incorporadas aos processos produtivos para, em etapa posterior, se consolidarem e gerarem os impactos que deles se esperam.

Desde a implantação em 2014 do Modelo integrado de gestão de desempenho da Embrapa (Integro), houve um consenso interno sobre a necessidade de se demonstrar, por meio de indicadores específicos, que as soluções tecnológicas geradas, qualificadas e transferidas pela instituição a seus potenciais usuários estão sendo efetivamente incorporadas aos processos produtivos. Essa incorporação, uso ou adoção da solução tecnológica é que se denomina, no idioma inglês, um “outcome”, ou seja uma “solução tecnológica de adoção consolidada”.

A partir desta edição de 2018, o Balanço Social da Embrapa passa a contemplar, em sua prestação de contas à sociedade, uma amostra de soluções tecnológicas, consideradas como de uso já consolidado pelos centros de pesquisa da instituição. Esse esforço adicional de levantamento e estimação das taxas de uso e/ou adoção de suas principais soluções tecnológicas não ocorre de forma isolada. Ela vem se somar ao trabalho anual das Unidades da Empresa de realização de estudos de impacto. Essa iniciativa de avaliação do uso das soluções tecnológicas consiste em um primeiro e importante passo de monitoramento das taxas de adoção das tecnologias da Empresa que já estão no campo, mas ainda não foram avaliadas quanto a seus impactos.

A amostra de soluções tecnológicas de adoção consolidada apresentada neste Balanço Social de 2018 já permite demonstrar números muito expressivos, antes mesmo da contabilização do impacto desses sistemas, a demonstração de evidências de sua adoção já é um passo importante nesse sentido. Por exemplo, aqueles classificados como “Sistemas e serviços”, que tiveram mais de 22,5 milhões de acessos ou downloads. Destacando-se, no entanto, que a mensuração dos impactos de uso de sistemas e serviços, como aquele que possibilita a visualização e análise de estruturas de proteínas, ou de um sistema aberto e integrado de informação em agricultura, sempre será um desafio. Por outro lado, os dados de adoção de uma amostra de produtos Embrapa voltados, respectivamente, à produção agrícola e à produção animal já indicam que parte dessas tecnologias já é usada em cerca de 127 milhões de hectares e por mais de 19,5 milhões de animais.

Enfim, as soluções tecnológicas de adoção consolidada ora mostradas são novas evidências da efetividade da pesquisa liderada pela Embrapa, mas que só se viabilizou graças às centenas de parceiros, tanto na geração de produtos, quanto na incorporação desses produtos ao processo produtivo, espalhados pelos quatro cantos do País.

Impacto institucional: um novo indicador de efetividade

Desde 2001, quando se iniciou o processo de avaliação de impacto sob o enfoque multidimensional, o impacto institucional das tecnologias vinha sendo medido de forma qualitativa. A partir de 2018, a avaliação dessa dimensão passou a ser realizada de modo mais estruturado, com base no modelo Ambitec-Agro (Sistema de Avaliação de Impacto Social da Inovação Tecnológica Agropecuária), já usado na Empresa para a avaliação dos impactos ambientais e sociais. Para isso, foi criado nesse modelo um novo módulo denominado “desenvolvimento institucional”, que adota a mesma escala e fórmulas de cálculo usadas para estimar os índices de impacto social e ambiental.

O módulo “desenvolvimento institucional” é composto por quatro aspectos essenciais de avaliação, ou seja, capacidade relacional, capacidade científico-tecnológica, capacidade organizacional e produtos de P&D. A avaliação desses aspectos, por sua vez, envolve a análise de oito critérios, decompostos em 45 indicadores usados para medir as alterações geradas pelo projeto de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Diferentemente da avaliação dos impactos econômicos, sociais e ambientais, em que os impactos são medidos juntos aos adotantes (produtor, agroindústria, etc.), na avaliação dos impactos institucionais, a mensuração possui como objeto o centro de pesquisa e instituições parceiras onde foram geradas as tecnologias.

A avaliação dos impactos em políticas públicas

Entre 2017 e 2018, a Embrapa desenvolveu e testou uma metodologia para qualificar e valorar os impactos da sua contribuição à formulação de políticas públicas e suas decorrências para a sociedade. Essa metodologia possui como principal característica relatar a entrega, descrever o cenário e o grau de exposição, sensibilidade e adaptação da população quanto ao problema (vulnerabilidades), medir o capital social, avaliar as responsabilidades, bem como identificar e registrar as percepções dos parceiros e líderes de grupos de interesses. Além disso, também descreve os serviços da política e avalia os impactos a seus beneficiários a partir de indicadores alinhados ao objeto de avaliação.

O desenvolvimento e a aplicação dessa metodologia ocorreram por intermédio de um projeto-piloto com a Embrapa Pantanal, tendo como objeto de avaliação o Sistema de Controle da Pesca de Mato Grosso do Sul (SCPESCA/MS) na Bacia do Alto Rio Paraguai. O SCPESCA/MS gera estatísticas de pesca profissional, artesanal e amadora e contribuiu para a implantação da Política do Seguro Defeso no Mato Grosso do Sul (Lei n° 10.779, de 25/11/2003). Para executar a avaliação dessa política pública realizaram-se pesquisas qualitativa e quantitativa. A primeira, qualitativa, por intermédio de entrevistas junto aos parceiros e líderes do setor de pesca profissional-artesanal; a segunda, quantitativa, por intermédio de uma pesquisa de campo com 134 pescadores artesanais- profissionais em quatro municípios sul-mato-grossenses: Corumbá, Bonito, Miranda e Ladário.


O Sistema de controle da pesca serviu de projeto-piloto para a avaliação de impacto em políticas públicas. Foto: Agostinho Catella.

A conclusão decorrente desse trabalho foi que, com a Política do Seguro Defeso do Mato Grosso do Sul, a Embrapa contribuiu para a conservação dos recursos pesqueiros da região. A análise sobre a eficiência dos serviços dessa política permitiu valorar as seguintes questões: a) a contribuição da instituição para a conservação dos recursos pesqueiros do Pantanal; b) a percepção dos pescadores sobre como a Embrapa Pantanal contribuiu para a segurança alimentar e nutricional das famílias de pescadores profissionais-artesanais; c) a melhoria da renda das famílias de pescadores profissionais- artesanais; d) a contribuição da instituição para o desenvolvimento do setor de pesca turística na cidade de Corumbá; e) a garantia da produção sustentável dos estoques pesqueiros ao longo do tempo, por meio do ordenamento pesqueiro. Em relação aos custos e benefícios do projeto SCPESCA, a taxa de retorno do investimento (TIR) estimada foi de 19,4% e a relação benefício/custo de 10/1, o que indica que os investimentos realizados pela Empresa foram compensadores para a comunidade local. O desenvolvimento e a aplicação dessa metodologia deverão permitir à Empresa adotá-la na avaliação de impactos em políticas públicas formuladas com apoio de suas Unidades de Pesquisa.

Destaque nacional da produção científica da Embrapa

Um estudo sobre a produção científica da Embrapa no contexto nacional, realizado a partir de uma busca na base de dados Web of Science (WoS) de todos os tipos de documentos publicados entre 2003 e 2017, cujos autores tenham se identificado com afiliação Brasil ou Brazil, demonstrou que a Empresa se destaca entre as principais instituições do País. Conforme se observa na Tabela 2, a Embrapa ocupa o 8º lugar entre todas as instituições. No entanto, quando consideradas organizações não universitárias, ocupa o primeiro lugar, ficando à frente da Fundação Oswaldo Cruz. Embora essas instituições sejam as mais representativas, foi também possível realizar um levantamento das áreas do conhecimento que concentram o maior número de artigos, com base em 493.347 registros presentes na WoS.

Tabela 2: Instituições brasileiras mais produtivas entre 2003 e 2017 por número de artigos

Organização Total
Universidade de São Paulo (USP)  108.905
Universidade Estadual Paulista (Unesp)  40.904
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) 37.281
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)  34.058
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)  29.289
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)  25.797
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)  20.212
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)  16.493
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)  16.258
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)  15.231
Fonte: WoS (2018)

Conforme a Figura 1, essas áreas são: Ciências da Saúde (30%), Ciências Exatas e da Terra (22%), Ciências Biológicas (18,6%), Ciências Agrárias (11,5%) e Engenharias (10,4%). As Ciências Humanas, Multidisciplinar, Ciências Sociais Aplicadas e Linguística, Letras e Artes respondem juntas por 7,2% dos artigos. Por isso, compreende- se a reclamação de pesquisadores e cientistas dessas áreas de que sua produção científica fica sub-representada quando avaliada por meio de uma base de dados internacional como a Web of Science.



Figura 1: Quantidade (%) de artigos publicados entre 2003 e 2017 nas diferentes áreas do conhecimento da produção científica brasileira.
Fonte: WoS (2018)

Outra evidência da efetividade da Embrapa é a quantidade de downloads de publicações técnicas disponibilizadas pela Empresa na Internet por meio de três repositórios (Ainfo, Alice e Infoteca). Em 2018 foram feitos 25,8 milhões de downloads de publicações, o que é um indicador de que as publicações produzidas pelos seus centros de pesquisa estão sendo usadas, especialmente, pelos técnicos da assistência técnica e extensão rural, tanto do setor público, como do privado.

Ideas for Milk: impacto digital no mundo rural

O surgimento do smartphone em 2007 condicionou não apenas o modo de pensar e agir como também a forma de entrega de soluções por parte das organizações, que passou a ser muito mais rápida. O mundo digital surgiu com robustez, inutilizando produtos e processos consagrados. O que não cabe num smartphone, não cabe no mundo.

O projeto Ideas for Milk (Ideias para o Leite) é uma iniciativa liderada pela Embrapa Gado de Leite com financiamento pelo setor privado e participação de oito centros de pesquisa da Embrapa, assim como de entidades nacionais representativas do setor lácteo, universidades e empresas de tecnologias de informação e comunicação (TICs). Ele surgiu da necessidade de promoção de uma vigorosa ação de transferência de tecnologias do leite para o mundo digital.


Projeto Ideas For Milk: o mundo digital integrando ensino, pesquisa e sistema produtivo do leite. Foto: Diogo França

As perspectivas iniciais para esse trabalho, no entanto, não eram nada favoráveis, pois engenheiros, cientistas de computação, físicos e matemáticos sabem tudo sobre o mundo digital, mas muito pouco sobre o mundo do leite. Por outro lado, engenheiros- -agrônomos, médicos-veterinários e zootecnistas, embora sejam usuários do mundo digital, nem sempre sabem gerar soluções digitais. O projeto Ideas for Milk surgiu justamente da necessidade de se criar soluções digitais para a produção de leite por meio da interação de profissionais com visões e conhecimentos tão diferentes.

A realização desse trabalho, por sua vez, exigiu a criação de um ecossistema de inovação próprio, o que foi propiciado pela Caravana da Inovação em 2016. Ou seja, técnicos da Embrapa Gado de Leite visitaram 16 das melhores universidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Assim, num mesmo ambiente, professores, alunos e empresas juniores de cursos das engenharias, ciências da computação, física, administração, economia, zootecnia, veterinária e agronomia passaram a se reunir para assistir a pitches sobre empreendedorismo, inovação, assim como entender melhor a estrutura da cadeia do leite, e identificar seus gargalos. O objetivo foi estimular o surgimento de soluções digitais para o leite, o que deu origem a três produtos do Ideas for Milk: o Vacathon, o Desafio de Startup e o I0TO MILK.

Ao todo, o projeto Ideas for Milk envolveu 92 empresas e instituições. As empresas de TICs reconhecem que, em função dessa iniciativa, o leite é hoje um dos ecossistemas produtivos mais inovadores do agronegócio brasileiro. Ao ligar a academia e o setor produtivo, empresas de leite com empresas de TIC, startups e empresários com capital, o Ideas for Milk viabiliza a geração de emprego, renda e soluções, cujos impactos já se tornam visíveis.

A importância da mulher rural no setor cafeeiro

A identidade e a qualidade do café brasileiro, respeitados em todo o mundo, envolve o trabalho de homens e mulheres do setor. No entanto, historicamente, apenas o trabalho masculino vinha sendo reconhecido nas práticas de agricultura. Ciente disso, a Embrapa Café se envolveu na produção do livro Mulheres dos cafés no Brasil, que oferece o primeiro perfil dessas profissionais no País. Para isso, foi criada uma rede multidisciplinar composta por mulheres artistas, cineastas, fotógrafas, pesquisadoras, agrônomas, cientistas sociais e jornalistas, entre diversas outras especialidades, além de financiadores importantes, que permitiram a viabilização desse trabalho.

A obra foi elaborada por 41 autores em 17 capítulos, que descreve as cinco principais regiões brasileiras produtoras de café (Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Bahia e Rondônia) e suas singularidades, com ênfase nas mulheres rurais de pequenas propriedades. Entre os patrocinadores dessa obra, encontram-se a Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA) e a Diretoria Regional da ONU Mulheres para Américas e Caribe.


O livro sobre as mulheres dos cafés oferece o primeiro perfil dessas profissionais no País.


Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
Secretaria de Desenvolvimento Institucional
Secretaria Geral da Embrapa

Parque Estação Biológica - PqEB s/n°
Brasília, DF - Brasil - CEP 70770-901
Fone: (61) 3448-4433